O QUE É APOLOGÉTICA?

 

“Antes, santificai ao Senhor Deus em vossos corações; e estai sempre preparados para responder com mansidão e temor a qualquer que vos pedir a razão da esperança que há em vós” (1 Pe 3.15)

Apologética é a defesa sistematizada e racional da fé cristã. As cartas paulinas e as cartas universais são exemplos de apologética. Ali, os apóstolos e discípulos do Senhor Jesus Cristo defendem o Evangelho contra os ataques insistentes e insidiosos dos judaizantes e dos gnósticos. Aqueles pregavam a salvação pelo cumprimento da Lei, estes, creditavam a salvação pelo conhecimento, ainda que esse conhecimento fosse fruto de distorções da verdade. Assim, eles desqualificavam a mensagem do Evangelho: a salvação exclusivamente pela graça de Deus. Ambos eram deformações dos princípios pregados por Cristo e os apóstolos; e, tanto os judaizantes como os gnósticos, infiltraram-se sorrateiramente na Igreja, eram aceitos como crentes, mas estavam a serviço do seu deus, Satanás, e pregavam heresias com o único intuito de destruir o povo de Deus.
Foi percebendo essa ameaça que Paulo alertou os bispos de Éfeso: “Olhai, pois, por vós, e por todo o rebanho sobre que o Espírito Santo vos constituiu bispos, para apascentardes a igreja de Deus, que ele resgatou com seu próprio sangue. Porque eu sei isto que, depois da minha partida, entrarão no meio de vós lobos cruéis, que não pouparão ao rebanho; e que de entre vós mesmos se levantarão homens que falarão coisas perversas, para atraírem os discípulos após si. Portanto, vigiai...” (At 20.28.31).
Orientado pelo Espírito Santo, Paulo percebeu que muitos pregariam outro evangelho, e chamou a esses de malditos, traidores da fé: “Se alguém vos anunciar outro evangelho além do que já recebestes, seja anátema” (Gl 1.9).
Portanto, desde os primórdios da Igreja, os ataques malignos vêm sucedendo-se, com variações da mesma fórmula: rejeitar e negar a autoridade de Cristo como o Cabeça da Igreja; rejeitar e negar a autoridade das Escrituras Sagradas; rejeitar e negar a autoridade da Igreja; rejeitar e negar a Verdade; rejeitar e negar Deus.
Sutil e sorrateiramente, manipulando a palavra e torcendo o significado das Escrituras, esgueiram-se pelas fileiras de cadeiras das congregações, destilando o seu veneno e ódio a tudo o que diz respeito a Cristo, e à fé uma vez dada aos santos (Jd 3). O objetivo desses lobos em pele de cordeiros é o de “imitar” o trabalho do Espírito Santo, parecendo sinceros, inofensivos e utilizando-se de uma linguagem que soa espiritual (muitos citam as Escrituras com habilidade), e, através dos seus ideais “quase cristãos”, almejam remover os fundamentos da fé, demolir os alicerces da Verdade; e as conseqüências disso são o instaurar-se a confusão, a descrença, o nominalismo e o engano. Ao utilizar-se da astúcia, a heresia "contamina" as pessoas na igreja, pouco a pouco, tornando-a popular, exatamente por ser "quase a verdade", e se amolda perfidamente à natureza corrompida e pecaminosa do homem, o qual é incapaz de vê-la, e mesmo os que a vêm, por sua perspicácia, acabam por considerá-la inofensiva ou uma "verdade recriada". A capacidade que a heresia tem de reformular-se e aproximar-se da verdade, fazem as diferenças parecerem insignificantes, e as justificativas as tornam ainda mais diabólicos.
Hoje, o que se vê, não é propriamente a defesa da fé (tenho para comigo que a verdade não precisa de defensores, ela por si só defende-se a si mesma, porém, deve ser proclamada, e jamais escondida a "sete chaves", como um tesouro secreto), mas a defesa de conceitos e dogmas apóstatas, ou seja, a renúncia, o abandono do Evangelho de Cristo em favor das deturpações doutrinárias, de algo aparentemente cristão, mas que, diante da lente da revelação divina, as Sagradas Escrituras, denunciam o que realmente são: a falsificação da verdade. E, quando se abandona a objetividade da Palavra e o viver santo, para viver a subjetividade do coração e uma vida dissoluta, essa falsa liberdade os manterá presos, escravos de seus desejos.
Ao desprezar a Verdade, a qual é Jesus Cristo (Jo 14.6), o homem, norteado pelo humanismo, acomoda-se no redil das incertezas, no pecado, tornando-se conivente e participante do mal (Rm 1.32). Somente Cristo pode libertá-lo através do Evangelho, pois, sem Ele tudo é permitido, mas nada possível... Sem Ele, a condenação é a mais pura verdade.
Então, a Igreja não pode permanecer passiva diante do ataque inimigo, porque, após negligenciar a defesa da fé por anos, o passo seguinte é repudiar esse dever. E isso vem acontecendo em muitas denominações, na chamada igreja emergente (um segmento ultraliberal onde impera a filosofia pós-moderna), a qual afirma não haver verdade nem absoluto, e onde tudo é relativo, tornando-se agradável ao mundo (a própria afirmação é, por si só, um contra-senso, visto que, será capaz aos adeptos da i.e. crerem, conscientemente, em mentiras ou na não-verdade?). E dessa forma, em sua incredulidade, tentam fazer de Deus um fantoche, ou, como Nietzsche pretendeu, declarar a morte de Deus.
Na apologética residem o repelir as agressões aos princípios bíblicos, pois, o perigo é que, num ambiente onde eles encontram-se corrompidos e demolidos, não sobrará muito mais o que destruir.

 

Por Jorge Fernandes