Zoroastrismo

16-01-2011 14:14

Dois princípios supremos, o bem e o mal, caracterizavam o zoroastrismo. Substituído pelo islamismo, o zoroastrismo reduziu-se a grupos de guebros no Irã e de parses na Índia, mas deixou traços nas principais religiões, como o judaísmo, o cristianismo e o islamismo.

Zoroastrismo é um antigo sistema religioso-filosófico que repousa no postulado básico de uma contradição dualista, a do bem e do mal, inerente a todos os elementos do universo. Os pressupostos do sistema foram estabelecidos por Zoroastro, ou Zaratustra, que, nascido na Pérsia no século VI a.C., que parece ter sido um reformador do masdeísmo ou mazdeísmo, antiga religião da Média. A doutrina de Zoroastro foi transmitida oralmente e recolhida nos gathas, os cânticos do Avesta, conjunto de livros sagrados da religião.

As reformas de Zoroastro não podem ser entendidas fora de seu contexto social. A sociedade dividia-se em três classes: a dos chefes e sacerdotes, a dos guerreiros e a dos criadores de gado. Essa estrutura se refletia na religião, e determinadas deidades (daivas), estavam associadas a cada uma das classes. Ao que parece os ahuras (senhores), que incluíam Mitra e Varuna, só tinham relação com a primeira classe. Os servos, mercadores, pastores e camponeses eram considerados insignificantes demais para ser mencionados nas crônicas e estelas, embora tivessem seus próprios deuses.

O zoroastrismo prescreve a fé em um deus único, Ahura Mazda, o Senhor Sábio, a quem se credita o papel de criador e guia absoluto do universo. Dessa divindade suprema emana seis espíritos, os Amesas Spenta (Imortais Sagrados), que auxiliam Ahura Mazda na realização de seus desígnios: Vohu-Mano (Espírito do Bem), Asa-Vahista (Retidão Suprema), Khsathra Varya (Governo Ideal), Spenta Armaiti (Piedade Sagrada), Haurvatat (Perfeição) e Ameretat (Imortalidade). Juntos, Ahura Mazda e esses entes travam luta permanente contra o princípio do mal, Angra Mainyu (ou Ahriman), por sua vez acompanhado de entidades demoníacas: o mau pensamento; a mentira, a rebelião, o mau governo, a doença e a morte.

Como fruto dessa noção, há no zoroastrismo uma série de exortações e interdições destinadas a dirigir a conduta dos homens, para reprimir os maus impulsos. Através do combate cotidiano a Angra Mainyu e sua coorte (que se manifestam, por exemplo, nos animais de presa, nos ladrões, nas plantas venenosas etc.), o indivíduo torna-se merecedor das recompensas divinas, embora tenha liberdade para decidir-se pelo mal, caso em que será punido após a morte. Enquanto religião, o zoroastrismo reduziu sensivelmente a importância de certos rituais indo-arianos, repelindo alguns elementos cerimoniais correntes no Irã, como as bebidas estimulantes e os sacrifícios sangrentos.

Após a adoção oficial do zoroastrismo pelos aquemênidas, no reinado de Dario I, redigiu-se o Avesta ou Zend-Avesta, livro sagrado no qual -- na parte denominada gathas, hinos metrificados em língua arcaica -- encontra-se a sistematização tardia dessa religião, que teria sido feita pelo próprio Zoroastro. Entretanto, sob os sucessores de Dario, o zoroastrismo transformou seu caráter, convertendo-se em mazdeísmo (ou masdeísmo), impregnado de crenças populares e mais complexo dos pontos de vista escatológico e ritualístico. Apesar dos pontos de contato entre o zoroastrismo clássico e o mazdeísmo aquemênida (como a purificação ritual pelo fogo), permanecem sem resposta conclusiva. Ainda se discutem entre os especialistas numerosas questões relativas à influência que a reforma de Zoroastro por certo exerceu sobre outros movimentos religiosos orientais, inclusive o judaísmo, o cristianismo e o maniqueísmo.

Fonte Bibliográfica: BARSA.

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