Tese do dia-era

23-10-2011 18:50

Muitos se viram atraídos a essa tese em virtude das provas científicas a respeito da idade da terra. Uma investigação bastante proveitosa das opiniões dos teólogos e cientistas a respeito da idade da terra, desde a antiga Grécia até o século XX, se acha no livro de um geólogo profissional e também cristão evangélico, Davis A. Young, Christianity and the Age of the Earth. Young demonstra que, nos séculos XIX e XX, muitos geólogos cristãos, diante do peso das provas aparentemente esmagadoras, concluíram que a terra tem cerca de 4,5 bilhões de anos.

A concepção do dia-era é certamente possível, mas tem diversas dificuldades:

(1) a seqüência de acontecimentos de Gênesis 1 não corresponde exatamente à explicação científica atual do desenvolvimento da vida, que situa os seres marinhos
(5º dia) antes das árvores (3º dia), e os insetos e outros animais terrestres (6º dia), assim como também os peixes (5º dia), antes das aves (5º dia).

(2) A maior dificuldade dessa idéia é o fato de situar o sol, a lua e as estrelas (4º dia) milhões de anos depois da criação das plantas e das árvores (3º dia). Isso não faz absolutamente nenhum sentido segundo a opinião científica corrente, que afirma que as estrelas foram formadas bem antes da terra ou de qualquer ser vivo da terra. Também não faz sentido em face do modo como a terra hoje funciona, pois as plantas não crescem sem luz do sol, e muitas delas (3º dia) dependem de aves ou insetos voadores (5º dia) para o transporte do pólen; além disso, muitas aves (5º dia) vivem de insetos rastejantes (6º dia). Ademais, é de supor que as águas da terra permaneceriam congeladas por milhões de anos sem a luz do sol.

(2) Tese da estrutura literária

Outra forma de interpretar os dias de Gênesis 1 vem ganhando significativo apoio entre os evangélicos. Como argumenta que Gênesis não nos dá informações sobre a idade da terra, seria compatível com a atual concepção científica de que a terra é bastante antiga. Essa tese defende que os seis dias de Gênesis 1 não pretendem indicar uma seqüência cronológica de acontecimentos, nada mais sendo que uma “estrutura” literária que o autor usa para nos relatar a ação criadora de Deus. A estrutura está construída com destreza, de modo que os primeiros três dias e os três dias restantes correspondam um ao outro.