LAVAGEM DE DINHEIRO NO VATICANO

08-12-2010 02:40

O Vaticano expressou surpresa e perplexidade pela investigação determinada pela justiça italiana contra o presidente do Instituto para as Obras Religiosas (IOR) por suposta lavagem de dinheiro e manifestou máxima confiança nos dirigentes da instituição, em um comunicado divulgado nesta terça-feira (21) pela secretaria de Estado da Santa Sé.

O secretário de Estado do Vaticano também assegurou "total confiança no diretor-geral do IOR, Paolo Cipriani", segundo um comunicado.

O presidente do IOR, Ettore Gotti Tedeschi, está sendo investigado por suposta lavagem de dinheiro ilícito pela justiça italiana, que ordenou a apreensão de 23 milhões de euros (US$ 30 milhões), indicou nesta terça-feira a imprensa italiana. A existência da investigação foi confirmada por fontes judiciais.

Agentes da polícia tributária determinaram o sequestro preventivo dessa quantia depositada numa conta do banco Credito Artigiano Spa, a pedido do tribunal de Roma que investiga a omissão, por parte do chamado banco do Vaticano, das normas contra a lavagem de dinheiro.

A justiça italiana suspeita que o Banco do Vaticano administre através de contas anônimas, identificadas apenas com a sigla IOR, importantes somas de dinheiro de procedência obscura.

Indagado pela AFP, o porta-voz do Vaticano, padre Federico Lombardi, não quis comentar a notícia.

A investigação judicial contra um banco do Vaticano, que se beneficia da extraterritorialidade já que se encontra na Cidade do Vaticano, pôde ser aberta com base em nomas adotadas em 2007 que obrigam os bancos a fornecer a identidade dos autores e a natureza da transação.
O IOR não é acusado diretamente de lavagem e sim de ter omitido os dados requeridos.

O chamado banco do Vaticano, que administra as contas de várias ordens religiosas, assim como de associações católicas, é uma instituição da Igreja Católica que não é regida pelas normas financeiras vigentes na Itália.

O Instituto esteve envolvido num escândalo político-financeiro nos anos 1980, pela falência, em 1982, do Banco Ambrosiano (do qual o Vaticano era um acionista importante) pelo peso de uma dívida de US$ 3,5 bilhões e um buraco fiscal de US$ 1,4 bilhão.

Fonte: G1, 21/09/2010