Quarta Característica das Escrituras: Suficiência

23-10-2011 16:35

A. Definição de suficiência das Escrituras
Podemos definir assim suficiência das Escrituras: dizer que as Escrituras são suficientes significa dizer que a Bíblia contém todas as palavras divinas que Deus quis dar ao seu povo em cada estágio da história da redenção e que hoje contém todas as palavras de Deus que precisamos para a salvação, para que, de maneira perfeita, nele possamos confiar e a ele obedecer.

B. Podemos encontrar tudo o que Deus disse sobre temas específicos e também respostas às nossas perguntas
Logicamente, temos consciência de que jamais obedeceremos perfeitamente a todas as palavras das Escrituras nesta vida (ver Tg 3.2; 1Jo 1.8-10; e o capítulo 24 abaixo). Portanto, de início pode não parecer muito significativo dizer que tudo o que temos de fazer é o que Deus nos ordena na Bíblia, pois de qualquer modo jamais seremos capazes de obedecer-lhe plenamente nesta vida.

C. A Veracidade das Escrituras
A essência da autoridade das Escrituras está na sua capacidade de nos compelir a crer nelas e a elas obedecer, fazendo que tal fé e obediência sejam equivalentes a fé e obediência ao próprio Deus. Por esse motivo, é necessário considerar a veracidade das Escrituras, pois crer em todas as palavras da Bíblia implica confiança na completa veracidade das Escrituras em que cremos. Esse assunto será discutido mais a fundo quando considerarmos a inerrância das Escrituras.

D. Aplicações práticas da suficiência das Escrituras

A doutrina da suficiência da Escrituras tem várias aplicações práticas na vida cristã. A seguinte lista se pretende útil, mas não exaustiva.

1. A suficiência das Escrituras deve-nos incentivar
A tentar descobrir aquilo que Deus quer que pensemos (sobre uma questão doutrinária específica) e façamos (numa dada situação). Devemos nos convencer de que tudo o que Deus quer nos dizer sobre essa questão se encontra nas Escrituras. Isso não significa que a Bíblia responde a todas as dúvidas que possamos conceber, pois “as coisas encobertas pertencem ao Senhor, nosso Deus” (Dt 29.29).

2. A suficiência das Escrituras nos lembra de que não devemos acrescentar nada à Bíblia nem equiparar algum outro escrito à Bíblia.

Esse princípio é violado por quase todas as seitas. Os mórmons, por exemplo, afirmam crer na Bíblia, mas também reclamam autoridade divina para O Livro de Mórmon. Os seguidores da Ciência Cristã, igualmente, afirmam crer na Bíblia, mas na prática equiparam às Escrituras o livro Science and Health With a Key to the Scriptures [Ciência e saúde com uma chave para as Escrituras], de Mary Baker Eddy, ou o colocam até acima da Bíblia em termos de autoridade. Como isso viola a ordem divina de nada acrescentar às suas palavras, não devemos pensar que encontraremos nessas obras mais palavras de Deus para nós.

3. A suficiência das Escrituras também nos diz que Deus não exige que creiamos em nada sobre si mesmo ou sobre sua obra redentora que não se encontre na Bíblia.
Entre os escritos do tempo da igreja primitiva acham-se algumas coleções de supostos dizeres de Jesus não preservados nos evangelhos. É provável que pelo menos alguns dos “dizeres de Jesus” encontrados nesses escritos sejam registros mais ou menos precisos de coisas que Jesus de fato falou (embora hoje nos seja impossível determinar com um grau elevado de probabilidade quais são esses dizeres).

4. A suficiência das Escrituras nos mostra que nenhuma revelação moderna de Deus deve ser equiparada à Bíblia no tocante à autoridade.
Em vários momentos ao longo da história, e especialmente no moderno movimento carismático, muitas pessoas já afirmaram que Deus transmitiu revelações por meio delas para benefício da igreja. Seja como for que avaliemos essas alegações, precisamos tomar o cuidado de jamais permitir (na teoria ou na prática) a equiparação dessas revelações às Escrituras.

5. Com respeito à vida cristã, a suficiência das Escrituras nos lembra de que não existe pecado que não seja proibido pelas Escrituras, quer explícita quer implicitamente.
Andar na lei do Senhor é ser “irrepreensível” (Sl 119.1). Portanto, não devemos acrescentar proibições àquelas já afirmadas nas Escrituras.

6. A suficiência das Escrituras também nos diz que Deus nada exige de nós que não esteja determinado explícita ou implicitamente nas Escrituras.
Isso nos lembra que nossa busca da vontade de Deus deve-se concentrar nas Escrituras, ou seja, não devemos buscar orientação pelas orações que peçam alteração das circunstâncias ou dos sentimentos, ou ainda orientação direta do Espírito Santo fora das Escrituras.

 

Grudem, Wayne; Teologia Sistemática; Edições Vida Nova; São Paulo