Primeira Característica das Escrituras: Autoridade

23-10-2011 16:44

Os principais ensinos da Bíblia a seu próprio respeito podem ser classificados em quatro características (às vezes chamadas atributos):
(1)a autoridade das Escrituras;
(2)a clareza das Escrituras;
(3)a necessidade das Escrituras; e
(4)a suficiência das Escrituras.

A autoridade das Escrituras significa que todas as palavras nas Escrituras são palavras de Deus, de modo que não crer em alguma palavra da Bíblia ou desobedecer a ela é não crer em Deus ou desobedecer a ele.

A. Todas as palavras nas Escrituras são palavras de Deus

1. Isso é o que a Bíblia afirma a seu próprio respeito.
Há muitas afirmações na Bíblia declarando que todas as palavras das Escrituras são palavras de Deus (ao mesmo tempo em que são palavras escritas por homens). No Antigo Testamento, isso se vê com freqüência na frase introdutória “assim diz o Senhor”, que ocorre centenas de vezes. No mundo do Antigo Testamento, essa frase seria reconhecida como idêntica em forma à expressão “assim diz o rei...”, usada para introduzir um edito de um rei a seus súditos, edito que não poderia ser desafiado nem questionado, mas simplesmente obedecido.2 Dessa forma, quando os profetas dizem “assim diz o Senhor” eles estão reivindicando a condição de mensageiros do soberano Rei de Israel, ou seja, o próprio Deus, e declarando que suas palavras são palavras de Deus com autoridade absoluta. Quando um profeta falava dessa forma em nome de Deus, cada palavra dita vinha de Deus, senão ele seria um falso profeta (cf. Nm 22.38; Dt 18.18-20; Jr 1.9; 14.14; 23.16-22; 29.31-32; Ez 2.7; 13.1-16).

2. Somos convencidos a aceitar as reivindicações da Bíblia de que ela é a Palavra de Deus à medida que a lemos.
Uma coisa é afirmar que a Bíblia alega ser as palavras de Deus. Outra coisa é convencer-se de que essas afirmações são verdadeiras. Nossa convicção definitiva de que as palavras da Bíblia são palavras divinas vem apenas quando o Espírito Santo fala ao nosso coração nas palavras da Bíblia e por intermédio delas, dando-nos a segurança íntima de que essas são as palavras de nosso Criador falando conosco. Logo depois de explicar que sua mensagem apostólica consistia de palavras ensinadas pelo Espírito Santo (1Co 2.13), Paulo diz: “... o homem natural não aceita as coisas do Espírito de Deus,8 porque lhe são loucura; e não pode entendê-las porque elas se discernem espiritualmente” (1Co 2.14). À parte do trabalho do Espírito de Deus, uma pessoa não receberá verdades espirituais e, em particular, não receberá nem aceitará a verdade de que as palavras das Escrituras são de fato palavras de Deus.

3. Outros indícios são úteis, mas não totalmente convincentes.
A seção anterior não foi escrita para negar a validade de outros tipos de argumento que podem ser usados para sustentar a afirmação de que a Bíblia é a palavra de Deus. Para nós é útil saber que a Bíblia é historicamente precisa, tem coerência interna, contém profecias que se cumpriram centenas de anos mais tarde, influenciou os rumos da história humana mais do que qualquer outro livro, vem mudando a vida de milhões de indivíduos ao longo da história, pessoas encontraram a salvação por meio dela, possui em seus ensinos beleza majestosa e profundidade que nenhum outro livro pode superar e afirma centenas de vezes ser a verdadeira palavra de Deus. Todos esses e outros argumentos são úteis para nós e removem obstáculos que de outra forma se levantariam contra nossa fé nas Escrituras. Mas todos esses argumentos considerados separadamente ou em conjunto não conseguem ser convincentes de maneira definitiva.

4. As palavras das Escrituras são autocorroborantes.
Elas não podem ser “comprovadas” como palavras de Deus apelando-se a alguma autoridade superior. Pois caso se apelasse a uma autoridade superior (por exemplo, exatidão histórica ou coerência lógica) como recurso para provar que a Bíblia é a Palavra de Deus, então a própria Bíblia deixaria de ser a nossa autoridade mais alta ou absoluta e ficaria subordinada em matéria de autoridade àquilo a que apelássemos a fim de provar que ela é a Palavra de Deus. Se no final das contas apelamos à razão humana, ou à lógica, ou à exatidão histórica, ou à verdade científica como autoridade pela qual se demonstra que as Escrituras são as palavras de Deus, então estamos pressupondo que a coisa para a qual apelamos é uma autoridade superior às palavras de Deus e também mais verdadeira ou mais confiável.

5. Objeção: isso é um argumento circular.
Alguém pode objetar que a afirmação de que as Escrituras corroboram a si mesmas como palavra de Deus é um argumento circular: cremos que as Escrituras são a Palavra de Deus porque elas reivindicam essa condição e cremos em sua reivindicação porque as Escrituras são a Palavra de Deus. E cremos que as Escrituras são a Palavra de Deus porque elas reivindicam essa condição, e assim por diante.

6. Isso não implica ditado de Deus como único meio de comunicação.
Toda a parte precedente deste capítulo afirmou que as palavras da Bíblia são palavras de Deus. Nesse ponto é necessária uma palavra de advertência. O fato de que todas as palavras das Escrituras são de Deus não deve nos levar a pensar que Deus ditou cada palavra das Escrituras aos autores humanos.

B. Portanto, não crer em qualquer palavra das Escrituras ou desobedecer a elas é não crer em Deus ou desobedecer a ele.

A divisão anterior afirmou que todas as palavras das Escrituras são de Deus. Conseqüentemente, não dar crédito ou desobedecer a qualquer palavra das Escrituras é não dar crédito ou desobedecer ao próprio Deus. Assim, Jesus pode repreender seus discípulos por não crerem nas Escrituras do Antigo Testamento (Lc 24.25). Os crentes devem guardar e obedecer às palavras dos discípulos (Jo 15.20: “... se guardaram a minha palavra, também guardarão a vossa”). Os cristãos são incentivados a se lembrar “do mandamento do Senhor e Salvador, ensinado pelos [...] apóstolos” (2Pe 3.2). Desobedecer aos escritos de Paulo tornava a pessoa passível de disciplina da igreja, tal como excomunhão (2Ts 3.14) e punição espiritual (2Co 13.2-3), inclusive punição por Deus (aparentemente é esse o sentido do verbo na voz passiva “será ignorado”, em 1Co 14.38). Por outro lado, Deus se alegra em todo aquele que “treme” diante de sua palavra (Is 66.2).

C. A Veracidade das Escrituras

1. Deus não pode mentir nem falar com falsidade.
A essência da autoridade das Escrituras está na sua capacidade de nos compelir a crer nelas e a elas obedecer, fazendo que tal fé e obediência sejam equivalentes a fé e obediência ao próprio Deus. Por esse motivo, é necessário considerar a veracidade das Escrituras, pois crer em todas as palavras da Bíblia implica confiança na completa veracidade das Escrituras em que cremos. Embora esse assunto vá ser discutido mais a fundo quando considerarmos a inerrância das Escrituras, vamos tratá-la rapidamente neste ponto.

2. Portanto, todas as palavras nas Escrituras são inteiramente verdadeiras e não contêm erro em lugar algum.
Já que as palavras da Bíblia são palavras de Deus, e já que Deus não pode mentir nem falar falsamente, é correto concluir que não há inverdades ou erros em qualquer parte das palavras das Escrituras. “As palavras do Senhor são palavras puras, prata refinada em cadinho de barro, depurada sete vezes” (Sl 12.6). Aqui o salmista usa imagem vívida para falar da pureza não diluída das palavras de Deus: não há imperfeição nelas. Também em Provérbios 30.5 lemos: “... toda palavra de Deus é pura; ele é escudo para os que nele confiam”. Não são apenas algumas palavras das Escrituras que são verdade, mas cada palavra.

3. As palavras de Deus são o padrão definitivo da verdade.
Em João 17 Jesus ora ao Pai: “... santifica-os na verdade; a tua palavra é a verdade” (Jo 17.17). Esse versículo é interessante porque Jesus não usa os adjetivos alÂthinos ou alÂthÂs (“verdadeiro”), que poderíamos esperar, para dizer “tua palavra é verdadeira”. Ele usa um substantivo, alÂtheia (“verdade”), para dizer que a Palavra de Deus não é simplesmente “verdadeira”, mas é a própria verdade.

4. Algum fato novo poderia contradizer a Bíblia?
Será que poderia ser descoberto algum fato novo, científico ou histórico, que vá contradizer a Bíblia? Podemos dizer com confiança que isso nunca acontecerá — isso, na verdade, é impossível. Se algum suposto “fato” descoberto contradiz as Escrituras, então (se entendemos corretamente as Escrituras) esse “fato” deve ser falso, pois Deus, o autor das Escrituras, conhece todos os fatos verdadeiros (passados, presentes e futuros). Nunca virá à tona nenhum fato que Deus não conhecesse eras atrás e não tenha levado em conta quando fez com que as Escrituras fossem produzidas. Cada fato verdadeiro é algo que Deus conhece desde a eternidade e que, portanto, não pode contradizer o que o Senhor fala nas Escrituras.

D. As Escrituras em forma escrita são nossa autoridade final
É importante perceber que a forma final em que as Escrituras permanecem como autoridade é a forma escrita. Foram as palavras de Deus escritas em tábuas de pedra que Moisés depositou na arca da aliança. Mais tarde, Deus ordenou a Moisés e aos profetas que o seguiram que escrevessem suas palavras em um livro. E foi a Escritura em forma escrita (graphÂ) que Paulo disse ser “inspirada por Deus” (2Tm 3.16). De modo semelhante, são os escritos de Paulo que são “mandamento do Senhor” (1Co 14.37) e que poderiam ser classificados com “as demais Escrituras” (2Pe 3.16).

A Inerrância das Escrituras

A. O significado de inerrância

Não vamos repetir aqui os argumentos a respeito da autoridade das Escrituras apresentados no capítulo 4. Afirmou-se ali que todas as palavras na Bíblia são palavras de Deus e que, portanto, não crer em alguma palavra das Escrituras ou não obedecer a ela é não crer em Deus ou desobedecer a ele. Afirmou-se ainda que a Bíblia ensina claramente que Deus não pode mentir nem falar com falsidade (2Sm 7.28; Tt 1.2; Hb 6.18). Assim, todas as palavras nas Escrituras são declaradas completamente verdadeiras e destituídas de erros, qualquer que seja o trecho (Nm 23.19; Sl 12.6; 119.89, 96; Pv 30.5; Mt 24.35). As palavras de Deus são, de fato, o padrão máximo da verdade (Jo 17.17).

Deve-se reconhecer que a fidedignidade absoluta no discurso é coerente com alguns outros tipos de declaração, tais como as seguintes:

1. A Bíblia pode ser inerrante e mesmo assim empregar a linguagem comum da fala cotidiana.
Isso diz respeito principalmente às descrições “científicas” ou “históricas” de fatos ou eventos. A Bíblia pode falar que o sol nasce e a chuva cai porque, pela ótica de quem fala, é exatamente isso que ocorre. Da perspectiva de um observador postado no sol (caso fosse possível) ou em algum ponto “fixo” hipotético no espaço, a terra gira trazendo o sol ao campo visual, e a chuva não cai só de cima para baixo, como também de um lado para outro ou de baixo para cima, de acordo com a direção necessária para que seja conduzida pela gravidade até a superfície da terra. Mas essas explicações são irremediavelmente pedantes e impossibilitariam a comunicação normal. De acordo com a perspectiva de quem fala, o sol nasce e a chuva cai, e essas palavras descrevem com perfeita veracidade os fenômenos naturais observados por quem fala.

2. A Bíblia pode ser inerrante e mesmo assim conter citações vagas ou livres.
O jeito de uma pessoa citar as palavras de outra é um procedimento que, em grande parte, varia de cultura para cultura. Na cultura ocidental contemporânea, costumamos citar textualmente as palavras da pessoa quando as colocamos entre aspas (chamamos a isso citação direta). Mas quando empregamos a citação indireta (sem aspas), espera-se um relato preciso limitado apenas à essência da declaração. Considere a seguinte frase: “Elliot disse que logo estaria em casa para jantar”. A frase não faz uma citação direta de Elliot, mas é uma expressão aceitável e veraz do que Elliot disse ao pai: “Volto em dois minutos para comer”, apesar de a citação indireta não conter nenhuma das palavras originais dele.

3. É compatível com a inerrância haver construções gramaticais incomuns ou pouco usuais na Bíblia.
Algumas linguagens das Escrituras são elegantes e excelentes quanto ao estilo. Outros escritos bíblicos contêm a linguagem natural do povo comum. Às vezes isso inclui falhas em relação às “regras” aceitas de expressão gramatical (tais como o uso de um verbo no plural onde as regras gramaticais exigiriam um verbo no singular ou o emprego de um adjetivo feminino onde se espera um masculino ou de uma grafia diferente de uma palavra, etc.). Essas declarações irregulares quanto à estilística ou à gramática (encontradas especialmente no livro de Apocalipse) não nos devem incomodar, pois não afetam a fidedignidade das declarações em questão: uma declaração pode ser gramaticalmente incorreta e, ainda assim, inteiramente verdadeira.

B. Alguns desafios atuais para a inerrância

Nesta seção, examinamos as principais objeções em geral levantadas contra o conceito de inerrância.

1. A Bíblia é a única autoridade em questões de “fé e prática”.
Uma das objeções mais freqüentes é levantada pelos que dizem que o propósito das Escrituras é ensinar-nos só em áreas que dizem respeito à “fé e prática”, ou seja, em áreas diretamente relacionadas com nossa fé religiosa ou com nossa conduta ética. Essa posição abriria a possibilidade de declarações falsas nas Escrituras, por exemplo, em outras áreas, tais como em detalhes históricos secundários ou em fatos científicos — essas áreas, afirmam os que levantam as objeções, não dizem respeito ao propósito da Bíblia: instruir-nos quanto ao que devemos crer e como devemos viver. Seus defensores muitas vezes preferem dizer que a Bíblia é “infalível”, mas hesitam em empregar a palavra inerrante.

2. O termo inerrância é um exagero.
Pessoas que levantam essa segunda objeção dizem que o termo inerrância é exato demais e que no uso comum denota um tipo de precisão científica absoluta que não devemos atribuir às Escrituras. Além disso, os que fazem essa objeção observam que o termo inerrância não é empregado na própria Bíblia. Assim, é provável que seja um termo inadequado e que não devamos insistir nele.

3. Não possuímos manuscritos inerrantes; portanto, é ilusório falar de uma Bíblia inerrante.
Os que levantam essa objeção destacam o fato de que a inerrância sempre foi atribuída aos primeiros exemplares ou aos exemplares originais dos documentos bíblicos. Mas nenhum deles sobreviveu: só temos cópias de cópias do que Moisés ou Paulo ou Pedro escreveram. De que serve, então, atribuir tamanha importância a uma doutrina que se aplica só a manuscritos que ninguém possui?

4. Em detalhes secundários, os escritores bíblicos “adaptaram” suas mensagens às idéias falsas correntes na época deles, afirmando ou ensinando tais idéias de modo incidental.
Essa objeção à inerrância é levemente diferente da que restringe a inerrância das Escrituras a questões de fé e prática, mas está associada a ela. Os que defendem essa posição alegam que seria muito difícil para os autores bíblicos se comunicarem com o povo de sua época, caso tentassem corrigir todas as informações históricas e científicas erradas em que acreditavam seus contemporâneos.

5. A inerrância superestima o aspecto divino das Escrituras e negligencia o aspecto humano.
Essa objeção mais geral é levantada pelos que alegam que os defensores da inerrância dão tanta ênfase ao aspecto divino das Escrituras, que subestimam o aspecto humano.
Aceita-se que a Bíblia possui um aspecto humano e outro divino e que precisamos dar a devida atenção a ambos. Entretanto, os que levantam essa objeção quase que invariavelmente insistem em que os aspectos verdadeiramente “humanos” das Escrituras devem incluir a presença de alguns erros nas Escrituras.

6. Há alguns erros evidentes na Bíblia.
Essa última objeção, de que há erros claros na Bíblia, é feita ou insinuada pela maior parte dos que negam a inerrância e, para muitos deles, a convicção de que realmente há erros nas Escrituras é um fator importante que os convence a questionar a doutrina da inerrância.

C. Problemas decorrentes da rejeição da inerrância

Os problemas advindos da rejeição da inerrância bíblica não são insignificantes e, quando compreendemos a magnitude desses problemas, somos encorajados não só a afirmar a inerrância, mas também a sua importância para a igreja. Alguns dos problemas mais sérios são aqui alistados.

1. Se rejeitarmos a inerrância, teremos de nos confrontar com um problema moral sério:
Podemos imitar a Deus e também mentir intencionalmente em questões secundárias? Isso se assemelha à discussão em resposta à quarta objeção acima, mas aqui se aplica não só aos que levantam essa objeção como também de maneira mais ampla a todos os que negam a inerrância. Efésios 5.1 nos diz que devemos ser imitadores de Deus. Mas uma negação da inerrância que ainda defenda que as palavras das Escrituras são inspiradas implica necessariamente que Deus nos falou inverdades intencionalmente em algumas de suas declarações menos centrais das Escrituras.

2. Se rejeitarmos a inerrância, começaremos a questionar se realmente podemos confiar em Deus em tudo que nos diz.
Uma vez convencidos de que Deus nos falou inverdades em algumas questões secundárias das Escrituras, vamos perceber que Deus é capaz de nos falar inverdades. Isso terá um efeito nocivo sobre nossa capacidade de aceitar a palavra de Deus e de confiar nele por completo ou de obedecer a ele plenamente no restante das Escrituras.

3. Se rejeitarmos a inerrância, em essência, estaremos fazendo de nossa mente humana um padrão de verdade mais elevado que a própria Palavra de Deus.
Empregamos nossa mente para julgar algumas seções da Palavra de Deus e anunciamos que estão erradas. Mas na prática isso significa que conhecemos a verdade com mais certeza e exatidão que a Palavra de Deus (ou que o próprio Deus), pelo menos nessas áreas. Tal procedimento, que faz de nossa mente um padrão mais elevado de verdade que a Palavra de Deus, está na raiz de todo pecado intelectual.

4. Se rejeitarmos a inerrância, precisaremos também dizer que a Bíblia está errada não apenas em detalhes secundários, mas também em algumas de suas doutrinas.
A negação da inerrância implica estarmos dizendo que o ensino da Bíblia sobre a natureza das Escrituras e sobre a veracidade e fidedignidade das palavras de Deus é também falso. Esses detalhes não são secundários, mas questões doutrinárias centrais nas Escrituras.

 

Grudem, Wayne; Teologia Sistemática; Edições Vida Nova; São Paulo