Polícia investiga três mortes em ritual de magia negra em SC

17-02-2011 20:04

A polícia catarinense investiga um triplo homicídio que pode estar ligado a rituais de magia negra.

 

    Três corpos de homens foram encontrados na madrugada desta terça-feira, 25, em estado de decomposição enterrados no quintal de uma casa em Palhoça, na Grande Florianópolis. Três pessoas de descendência indígena foram presas sob suspeita dos assassinatos.

 

    A investigação teve início após Daniel de Lima, 22, procurar uma delegacia na cidade gaúcha de Gravataí, Região Metropolitana de Porto Alegre, dizendo-se arrependido da participação no crime. Segundo ele, foi um latrocínio (roubo seguido de morte). Lima levou os policiais até Palhoça, onde mostrou a cova aos agentes, que foi feita em uma casa próxima à BR-101, na região do Morro do Cambirela.

 

    Os policiais encontraram objetos que acreditam ser fruto de um ritual de magia negra. Um pentagrama desenhado com pedras, colar de plumas, potes com animais, peças de roupas, fotografias, flores e material semelhante ao usado em vodu estavam em um galpão a poucos metros da cova, adornada por velas brancas e vermelhas.

 

Presos

 

    Outros dois moradores da região foram apontados por Lima como coautores do crime. Edeson Flávio Ercego, 36, conhecido como Índio e com antecedentes por tráfico de drogas, e Felipe de Souza Batista, 22, foram presos em flagrante por ocultação de cadáver.

 

    À polícia, eles negaram o assassinato e disseram apenas que receberam o carro de Lima - um Ford Fiesta Sedan vermelho desaparecido - para revendê-lo em Porto Alegre. Segundo os presos, as vítimas foram mortas a machadadas e marretadas na semana do Natal.

 

    As vítimas são três homens que estavam acampados no local. Um seria da cidade de Ijuí, no interior do RS, um de Santa Catarina e o outro do Rio de Janeiro. Este último, trabalharia como flanelinha em frente a uma casa noturna de Florianópolis. Uma das vítimas teria sido enterrada ainda viva, segundo informações da polícia.

 

    “Estamos trabalhando com diferentes linhas de investigação, entre elas o latrocínio e a magia negra. Mas, nesse momento, parece que eles acabaram fazendo os dois”, disse o delegado Atílio Gasparim Filho.

 

Outros casos

 

    Em outubro de 2001, o corpo da estudante Aline Silveira Soares, 18, foi encontrado nu em um cemitério do município mineiro de Ouro Preto com 17 perfurações pelo corpo. Moradora de Manhumirim (MG), ela tinha chegado à cidade três dias antes para uma festa de universitários.

 

    Em junho de 2010, a Justiça de Minas decidiu manter a sentença que inocentou quatro jovens pela morte. No julgamento, a Promotoria alegou que eles cometeram o assassinato em um ritual relacionado a um jogo RPG (“role playing game”, em que participantes interpretam personagens de uma realidade paralela). Os acusados negam qualquer participação no crime.

 

    Dois meses depois, uma empresária gaúcha foi encontrada morta e enterrada em uma área de reflorestamento de eucalipto de uma empresa produtora de papel em Guaíba (33 km de Porto Alegre). Ela teria sido atraída para a morte por um pai de santo conhecido da vítima há 17 anos, conforme a polícia.

 

    Solange Alves da Silva, 53, teria sido morta e seu corpo concretado em uma cova. “Eles atraíram a vitima até o local e decidiram assaltá-la. Atacaram a mulher que, ainda com vida, foi enterrada”, afirmou, na época, o delegado responsável pelo caso, Rodrigo Zucco.

 

    Após o assassinato, o pai de santo teria falsificado um cheque da empresária e realizado um saque de R$ 27 mil, enquanto seus comparsas usavam os cartões de crédito da vítima.


Fonte: UOL