O Juízo Final e o Castigo Eterno

29-10-2011 18:14

A. O fato do juízo final

1. Provas bíblicas de um juízo final.

As Escrituras afirmam o fato de que haverá um grande julgamento final de crentes e incrédulos. Eles ficarão de pé diante do trono de julgamento de Cristo em seu corpo ressurreto e ouvirão a proclamação do seu destino eterno.

2. Haverá mais de um julgamento?

De acordo com a posição dispensacionalista, há mais de um julgamento que está por vir.Da perspectiva dispensacionalista, essa passagem não se refere ao juízo final (o “grande trono branco” mencionado em Ap 20.11-15), mas sim a um julgamento posterior à tribulação e anterior ao início do milênio. Dizem que este será um “julgamento das nações” em que elas serão julgadas de acordo com o modo pelo qual tiverem tratado o povo judeu durante a tribulação. As que tiverem tratado bem os judeus e estiverem dispostas a se submeterem a Cristo entrarão no milênio, e as que não tiverem terão negada a entrada.

 

B. O tempo do juízo final

O juízo final ocorrerá depois do milênio e da rebelião que ocorre no final desse período. Em Apocalipse 20.1-6 João descreve o reino milenar e a retirada de Satanás da posição em que pode exercer influência sobre a terra (veja a discussão nos dois capítulos anteriores) e então diz: “Quando, porém, se completarem os mil anos, Satanás será solto da sua prisão e sairá a seduzir as nações [...] a fim de reuni-las para a peleja” (Ap 20.7-8). João diz que, depois de Deus vencer essa rebelião final de maneira decisiva (Ap 20.9-10), virá o julgamento: “Vi um grande trono branco e aquele que nele se assenta” (v. 11).

 

C. A natureza do juízo final

1. Jesus Cristo será o juiz.

Paulo fala de “Cristo Jesus, que há de julgar vivos e mortos” (2Tm 4.1). Pedro diz que Jesus Cristo “é quem foi constituído por Deus Juiz de vivos e de mortos” (At 10.42; compare 17.31; Mt 25.31-33). Esse direito de agir como juiz sobre todo o universo é algo que o Pai deu ao Filho: “o Pai [...] lhe deu autoridade para julgar, porque é o Filho do Homem” (Jo 5.26-27).

2. Os incrédulos serão julgados.

É evidente que todos os incrédulos ficarão de pé diante de Cristo para serem julgados, pois esse julgamento inclui “os mortos, os grandes e os pequenos” (Ap 20.12), e Paulo diz que no “dia da ira e da revelação do justo juízo de Deus”, este “retribuirá a cada um segundo o seu procedimento: [...] ira e indignação aos facciosos, que desobedecem à verdade e obedecem à injustiça” (Rm 2.5-8).

3. Os crentes serão julgados.

Escrevendo para cristãos, Paulo diz: “Pois todos compareceremos perante o tribunal de Deus. [...] Assim, pois, cada um de nós dará contas de si mesmo a Deus” (Rm 14.10, 12). Também diz aos cristãos: “Porque importa que todos nós compareçamos perante o tribunal de Cristo, para que cada um receba segundo o bem ou o mal que tiver feito por meio do corpo” (2Co 5.10; cf. Rm 2.6-11; Ap 20.12, 15). Além disso, o quadro do julgamento final em Mateus 25.31-46 inclui Cristo separando as ovelhas dos cabritos e recompensando aqueles que recebem sua bênção.

4. Os anjos serão julgados.

Pedro diz que os anjos rebeldes foram recolhidos ao inferno, no abismo de trevas, para esperar o juízo (2Pe 2.4), e Judas afirma que eles estão guardados por Deus “para o juízo do grande Dia” (Jd 6). Isso significa que pelo menos os anjos rebeldes ou os demônios também serão submetidos ao julgamento no último dia.

5. Ajudaremos no trabalho de julgamento.

Um aspecto bastante surpreendente do ensino do Novo Testamento é que nós (crentes) tomaremos parte no processo de julgamento.

 

D. A necessidade do juízo final

Já que ao morrer os crentes passam imediatamente para a presença de Deus, e os incrédulos para o estado em que são separados de Deus e submetidos ao castigo, podemos perguntar por que Deus estabeleceu um momento de juízo final. Berkhof observa de maneira sábia que o juízo final não tem o propósito de permitir que Deus descubra a condição de nosso coração ou o padrão de conduta de nossa vida, pois ele já os conhece nos mínimos detalhes.

 

E. A justiça de Deus no juízo final

As Escrituras afirmam de modo claro que Deus será inteiramente justo e ninguém será capaz de reclamar contra ele naquele dia. Deus é “aquele que, sem acepção de pessoas, julga segundo as obras de cada um” (1Pe 1.17), e para ele “não há acepção de pessoas” (Rm 2.11; compare Cl 3.25). Por essa razão, no último dia “toda boca” se calará e todo o mundo será “culpável perante Deus” (Rm 3.19), sem que ninguém seja capaz de reclamar que Deus o tratou de maneira injusta.

 

F. Aplicação moral do juízo final

A doutrina do juízo final exerce várias influências morais positivas sobre nossa vida.

1. A doutrina do juízo final satisfaz nosso senso interior de necessidade de justiça no mundo.

O fato de que haverá um juízo final assegura-nos que em última análise o universo de Deus é justo, pois Deus está no controle, mantém registros precisos e administra julgamento justo. Quando Paulo diz a escravos que sejam submissos aos seus senhores, assegura-lhes: “... pois aquele que faz injustiça receberá em troco a injustiça feita; e nisto não há acepção de pessoas” (Cl 3.25).

2. A doutrina do juízo final capacita-nos a perdoar aos outros livremente.

Percebemos que não cabe a nós vingar-nos dos que nos ofenderam, ou mesmo desejar fazê-lo, porque Deus reservou esse direito para si mesmo. “Não vos vingueis a vós mesmos, amados, mas dai lugar à ira; porque está escrito: A mim me pertence a vingança; eu é que retribuirei, diz o Senhor” (Rm 12.19). Dessa maneira, sempre que formos ofendidos, podemos entregar nas mãos de Deus qualquer desejo de causar dano ou de pagar com a mesma moeda à pessoa que nos ofendeu, sabendo que toda ofensa no universo terá retribuição no final — ou ela acabará sendo considerada paga por Cristo quando ele morreu na cruz (se o ofensor tornar-se cristão) ou será paga no juízo final (no caso daqueles que não aceitarem Cristo).

3. A doutrina do juízo final constitui motivo para uma vida justa.

Para os cristãos, o juízo final é um incentivo para fidelidade e boas obras, não como meio de conseguir o perdão dos pecados, mas como meio de alcançar maior galardão eterno. Este é um motivo saudável e bom para nós — Jesus nos diz: “ajuntai para vós outros tesouros no céu” (Mt 6.20) — embora isso vá contra o pensamento popular de nossa cultura secular, cultura que não acredita realmente no céu nem em recompensas eternas.

4. A doutrina do juízo final constitui grande motivação para a evangelização.

As decisões tomadas por pessoas nesta vida afetarão seu destino por toda a eternidade, e é justo que nosso coração sinta e nossa boca ecoe a emoção com que de Deus lança o apelo por intermédio de Ezequiel: “Convertei-vos, convertei-vos dos vossos maus caminhos; pois por que haveis de morrer, ó casa de Israel?” (Ez 33.11). Na verdade, Pedro indica que a demora na volta do Senhor deve-se ao fato de que Deus está sendo paciente conosco, “não querendo que nenhum pereça, senão que todos cheguem ao arrependimento” (2Pe 3.9).

 

G. O inferno

É apropriado discutir a doutrina do inferno juntamente com a doutrina do juízo final. Podemos definir o inferno como segue: O inferno é lugar de castigo eterno e consciente para o ímpio. As Escrituras ensinam em várias passagens que existe tal lugar. No final da parábola dos talentos, o senhor diz: “E o servo inútil, lançai-o para fora, nas trevas. Ali haverá choro e ranger de dentes” (Mt 25.30). Esta é uma das várias indicações de que haverá consciência do castigo após o juízo final. De modo semelhante, o rei dirá a alguns no julga-mento: “Apartai-vos de mim, malditos, para o fogo eterno, preparado para o diabo e seus anjos” (Mt 25.41), e Jesus diz que essas pessoas assim condenadas irão “para o castigo eterno, porém os justos, para a vida eterna” (Mt 25.46).  Nesse texto, o paralelo entre “vida eterna” e “castigo eterno” indica que ambos os estados não terão fim.