Glorificação (Receber o Corpo Ressurreto)

28-10-2011 14:23

Quando Cristo nos redimiu, ele não redimiu apenas o nosso espírito (ou alma), mas inteiramente, como pessoa, o que inclui a redenção do nosso corpo. Portanto, a extensão da obra redentora de Cristo em nosso favor não estará completa até que nosso corpo seja inteiramente libertado dos efeitos da queda e levado ao estado de perfeição para o qual Deus nos criou. Na verdade, a redenção do nosso corpo acontecerá somente quando Cristo voltar e nos ressuscitar dentre os mortos. Mas no presente momento, Paulo afirma que aguardamos “a redenção de nossos corpos” e acrescenta “pois nessa esperança fomos salvos” (Rm 8.23-24). Referindo-se àquele dia futuro Paulo diz que seremos “glorificados com ele” (Rm 8.17). Além disso, quando Paulo alinha as etapas da aplicação da redenção, a última que ele cita é a glorificação: “... aos quais predestinou também chamou; aos que chamou também justificou; e aos que justificou também glorificou” (Rm 8.30).

 

A. A prova da glorificação no Novo Testamento

A principal passagem do Novo Testamento sobre a glorificação ou a ressurreição do corpo é 1Coríntios 15.12-58. Paulo afirma: “Também em Cristo todos serão vivificados. Mas cada um por sua vez: Cristo, as primícias, e então na sua vinda os que pertencem a Cristo” (v. 22-23). Paulo discute a natureza do corpo da ressurreição com certo grau de detalhamento nos versículos 35-50, que examinaremos mais adiante na seção C. Ele então conclui a passagem dizendo que nem todos os cristãos morrerão, mas que alguns que permanecerem vivos quando Cristo voltar terão o corpo imediatamente transformado em novo corpo ressurreto, que nunca poderá envelhecer, enfraquecer nem morrer (1Co 15.51-52).

 

B. A base da glorificação no Antigo Testamento

Às vezes fala-se que o Antigo Testamento traz pouca ou nenhuma evidência da esperança de uma futura ressurreição do corpo. Todavia, há na verdade mais evidência veterotestamentária dessa esperança do que possamos imaginar. Em primeiro lugar, mesmo antes de Jesus ressuscitar dos mortos, o Novo Testamento indica que muitos judeus da época de Cristo tinham alguma esperança de uma futura ressurreição do corpo. Quando Jesus foi à casa de Lázaro, depois da morte deste, e disse à Marta: “Teu irmão vai ressuscitar”, Marta responde: “Eu sei que ele há de ressuscitar na ressurreição do último dia” (Jo 11.23-24). Além disso, quando Paulo estava no tribunal, disse a Félix que ele tinha uma “esperança em Deus que estes mesmos [seus acusadores judeus] aceitam, que haverá uma ressurreição de justos e de injustos” (At 24.15).

 

C. Com que se parecerá o corpo da ressurreição?

Se Cristo ressuscitará o nosso corpo dentre os mortos na ocasião de sua volta, e se o nosso corpo será semelhante ao corpo ressurreto de Cristo (1Co 15.20, 23, 49; Fp 3.21), com que se parecerá o nosso corpo ressurreto?

O fato de que o nosso corpo será “incorruptível” significa que ele não se desgastará, não envelhecerá e não estará sujeito a nenhuma enfermidade ou doença. Será para sempre um corpo plenamente saudável e forte. Além disso, visto que o envelhecimento gradual faz parte do processo pelo qual o nosso corpo está agora sujeito à “corrupção”, é certo pensar que o corpo da ressurreição não terá sinais de envelhecimento, mas terá perpetuamente as características da juventude acompanhadas de maturidade como homens e mulheres. Não haverá sinal de doença nem de dor, pois todos seremos perfeitos. O nosso corpo ressurreto mostrará o cumprimento da plena sabedoria de Deus ao criar-nos como seres humanos, ápice de sua criação, portadores adequados de sua imagem e semelhança. Nesse corpo ressurreto veremos o que Deus pretendia que fôssemos enquanto seres humanos.

 

D. Toda a criação também será renovada

Quando Adão pecou Deus amaldiçoou a terra por causa dele (Gn 3.17-19), de maneira que ela passou a produzir cardos e abrolhos e só daria alimento útil para o homem por meio de trabalho árduo. Mas Paulo afirma que “a própria criação será redimida do cativeiro da corrupção, para a liberdade da glória dos filhos de Deus” (Rm 8.21). Ele explica que isso acontecerá quando recebermos o corpo da ressurreição – de fato, ele afirma que a criação anseia, de algum modo, por aquele dia: “A ardente expectativa da criação aguarda a revelação dos filhos de Deus [...] Porque sabemos que toda a criação, a um só tempo, geme e suporta angústias até agora.

 

E. Os descrentes serão ressuscitados para julgamento no dia    do juízo final

Embora a ênfase das Escrituras esteja no fato de que os cristãos experimentarão a ressurreição do corpo, há alguns textos que declaram que os descrentes também ressuscitarão dos mortos, mas que terão de enfrentar o juízo final quando ressurgirem. Jesus ensina claramente que “os que tiverem praticado o mal” irão “para a ressurreição do juízo” (Jo 5.29); Paulo também afirma crer “que haverá ressurreição, tanto de justos como de injustos” (At 24.15; cf. Mt 25.31-46; Dn 12.2; veja no capítulo 56 uma discussão maior sobre o juízo final dos descrentes).