G. Outra visão evangélica: a postura arminiana

23-10-2011 18:43

Existe uma importante postura alternativa defendida por muitos evangélicos, que por conveniência chamaremos de visão “arminiana”. Entre as denominações evangélicas contemporâneas, os metodistas e os nazarenos tendem a ser plenamente arminianos, enquanto os presbiterianos tendem a ser plenamente reformados (pelo menos segundo a afirmação denominacional de fé). Os que defendem a opinião arminiana sustentam que, para preservar a verdadeira liberdade humana e as verdadeiras escolhas humanas indispensáveis à genuína pessoalidade humana, Deus não pode causar nem planejar as nossas decisões voluntárias. Portanto, concluem que o envolvimento providencial de Deus na história, ou o controle divino da história, não pode incluir cada mínimo detalhe de tudo o que acontece; em vez disso, Deus simplesmente reage às escolhas e ações humanas quando essas se realizam, e o faz de maneira tal que seus desígnios acabam se cumprindo no mundo.

1. Os versículos citados como exemplos do controle providencial de Deus são exceções e não descrevem o modo como Deus normalmente opera na atividade humana.

Examinando as passagens do Antigo Testamento que tratam do envolvimento providencial de Deus no mundo, David J. A. Clines diz que as previsões e afirmações dos desígnios divinos se referem a acontecimentos limitados ou específicos: quase todas as referências específicas aos desígnios de Deus têm em vista um acontecimento particular, ou uma série limitada de acontecimentos; por exemplo, “os desígnios que ele formou contra a terra dos caldeus” (Jr 50.45).

2. A visão calvinista equivocadamente torna Deus responsável pelo pecado.

Aqueles que sustentam a concepção arminiana perguntam: “Como pode Deus ser santo se decreta que pequemos?” Afirmam eles que Deus não é o “autor do pecado”, que “Deus não pode ser tentado pelo mal e ele mesmo a ninguém tenta” (Tg 1.13), que “Deus é luz, e não há nele treva nenhuma” (1Jo 1.5) e que “o Senhor é reto [...] e nele não há injustiça” (Sl 92.15).

3. Escolhas causadas por Deus não podem ser escolhas legítimas.

Se o calvinista afirma que Deus nos faz escolher coisas voluntariamente, os defensores da concepção arminiana respondem que quaisquer escolhas em última análise causadas por Deus não podem ser escolhas legítimas, e que, se Deus realmente nos faz tomar as decisões que tomamos, então não somos pessoas reais.
Para esclarecer o seu argumento sobre a liberdade essencial da vontade humana, os defensores da posição arminiana chamam atenção para a freqüência da livre oferta do evangelho no Novo Testamento. Diriam eles que esses convites ao arrependimento e à salvação em Cristo, caso sinceros, implicam necessariamente a capacidade de aceitá-los. Assim, todas as pessoas, sem exceção, têm capacidade de aceitar, não só aqueles a quem Deus soberanamente deu essa capacidade de modo especial.

4. A tese arminiana incentiva a vida cristã responsável, enquanto a tese calvinista estimula um fatalismo perigoso.

Os cristãos que defendem a visão arminiana argumentam que a visão calvinista, quando compreendida na sua totalidade, destrói os motivos da conduta cristã responsável. Randall Basinger diz que a concepção calvinista “estabelece que o que é deve ser e exclui a hipótese de que as coisas poderiam e/ou deveriam ter sido diferentes”.

 

Grudem, Wayne; Teologia Sistemática; Edições Vida Nova; São Paulo