FILOSOFIA JUDAICO-ALEXANDRINA

30-01-2011 15:52

           Durante o Período Grego, muitos judeus mudaram-se para o Egito. Estima-se que a colônia judaica montava em cerca de um milhão em Alexandria durante a época de Jesus. Surgiu, com o passar dos anos, um tipo de literatura que tentou explicar o judaísmo para o mundo grego. O maior fator isolado a destacar esse fato foi a Septuaginta, durante o terceiro século a.C. Esta filosofia exibia um marcante sincretismo de judaísmo, religiões de mistérios, lendas e filosofia grega. Presta-se a uma interpretação alegórica das Escrituras. As literaturas deste tipo incluem os Oráculos Sibilinos, Sabedoria de Salomão, IV Macabeus. Estas já foram apresentadas nas páginas anteriores.

 

FILO

O maior expoente desta literatura, todavia, foi Filo (27 a.C. — 41-65 d.C), um nativo de Alexandria. Usando a teoria platônica das idéias, Filo foi capaz de interpretar as doutrinas da fé judaica em termos que a mente grega poderia entender e aceitar. Rejeitando a interpretação literal, tudo na Septuaginta era alegórico, para expressar o mundo real e o Deus real. Deus era totalmente transcendente, mas estava relacionado com o mundo dos sentidos, através do Lógos. A parte mais próxima do homem a Deus é a razão, e a carne deve ser mantida em sujeição a ela, em todo o tempo.

 

FLÁVIO JOSEFO

A fonte mais confiável da história deste período é encontrada nas obras de Flávio Josefo. Suas quatro obras são, com efeito, uma apologia em favor do judaísmo da época do Novo Testamento. Nascido em Jerusalém por volta de 37-38 d.C, foi contemporâneo de muito do nascimento e crescimento do cristianismo. Treinado para ser um rabi, foi designado governador da Galiléia no início da Guerra Judaico-Romana. Foi capturado pelos romanos e logo tornou-se um favorito do general romano Vespasiano. Quando este general tornou-se imperador romano, Josefo adotou o nome da família do imperador, Flavius. Era tido em alta estima pelos dois filhos de Vespasiano (Tito e Domiciano), ambos os quais sucederam o pai como imperadores.

 

            Josefo escreveu seus quatro livros para responder aos críticos dos judeus após a guerra de 70. Seu Antigüidades dos Judeus é, provavelmente, sua melhor obra. É uma história do povo judeu desde a criação até o início da guerra. As Guerras dos Judeus começa com as perseguições sob Antíoco Epifânio e explica algo das razões que levaram à guerra. Uma de suas obras, A Vida, é a menos satisfatória, mas dá uma penetração no judaísmo do primeiro século. É uma autobiografia, traçando seus passos através de todos os partidos judaicos. Sua última obra, Tratado Contra Apiano, é cuidadosamente planejada e bem elaborada. É uma defesa cuidadosa do povo judeu contra a crítica radical. Estes livros contêm muitos exageros e devem ser lidos com cuidado. Contudo, eles são nossas fontes primárias para muito do material utilizado no estudo desse período.