Egito levantará proibição de construir igrejas e reabrirá outras

12-05-2011 23:33

Cairo, 12 maio (Prensa Latina) Cristãos do Egito saudaram hoje a disposição do Governo interino a revogar a proibição de construir igrejas coptas, reabrir 48, que foram fechadas por Hosni Mubarak, e proibiu realizar protestos em frente a lugares sagrados.

  A comunidade cristã, que constitui ao redor do 10 por cento dos mais de 80 milhões de habitantes desta nação majoritariamente muçulmana, valorizou os anúncios oficiais como um gesto positivo depois da morte de 15 pessoas no fim de semana passado por confrontos religiosos.

Com as medidas adiantadas pelo gabinete e a Junta Militar, prevalece no país uma tensão que se apalpa, sobretudo, nas ruas do populoso bairro cairota de Imbaba, onde muçulmanos extremistas queimaram uma paróquia sábado passado.

O governo do primeiro-ministro provisório Essam Sharaf, destacou que preparará dentro de um mês uma lei que flexibilize ou elimine as restrições para construir igrejas, uma medida adotada durante o regime de Mubarak, deposto por uma revolta popular no dia 11 de fevereiro.

O regulamento será proposto por um comitê do gabinete de justiça que tem a missão de "se opor decisivamente a toda incitação ao ódio e ao sectarismo", segundo comunicado difundido hoje.

O referido comitê estudará "o projeto de unificar leis para a construção de recintos religiosos" e decidiu, por instrução governamental, "proibir demonstrações e concentrações fora dos lugares de culto", sem precisar se cristãos, muçulmanos ou judeus.

Sob uma lei que data de antes do período Otomano, os cristãos estão obrigados a solicitar permissão às autoridades políticas antes de edificar uma igreja, e precisam da mesma para renovar ou consertar os templos, recordaram aqui meios de comunicação.

Além disso, o gabinete egípcio advertiu que tornará mais rigorosa a disposição legal que impede o uso de palavras de ordem religiosas em campanhas eleitorais, para evitar o sectarismo e o extremismo nas próximas eleições parlamentares de setembro.

Após os choques entre muçulmanos salafistas (uma corrente fundamentalista do Islã) e cristãos coptos no noroeste do Cairo, o Exército e a polícia chegaram a Imbaba e outros lugares do centro cairota para impedir novas manifestações e disputas.

O Governo egípcio disse estar estudando os casos de 48 igrejas fechadas durante o anterior regime para possível reabertura.

O Conselho Nacional de Direitos Humanos reclamou às autoridades elevar a segurança e a proteção das casas de culto, bem como acelerar o regresso da polícia às ruas, especialmente a bairros pobres como Imbaba.

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