D. Nossa relação com os anjos

23-10-2011 18:22

1. Devemos ter consciência dos anjos no dia-a-dia.

As Escrituras deixam claro que Deus quer que nos mantenhamos conscientes da existência dos anjos e da natureza da sua atividade. Não devemos, portanto, supor que a doutrina bíblica sobre os anjos não tem absolutamente nada que ver conosco hoje. Antes, a vida dos cristãos se enriquece em vários aspectos pela consciência da existência e do ministério dos anjos no mundo de hoje.

2. Precauções a tomar na nossa relação com os anjos

a. Recuse-se a receber falsas doutrinas de anjos. A Bíblia nos alerta para o perigo de receber falsas doutrinas de supostos anjos: “Mas, ainda que nós ou mesmo um anjo vindo do céu vos pregue evangelho que vá além do que vos temos pregado, seja anátema” (Gl 1.8). Paulo faz esse alerta porque sabe que existe a possibilidade da fraude. Diz: “O próprio Satanás se transforma em anjo de luz” (2Co 11.14). Do mesmo modo, o profeta mentiroso que enganou o homem de Deus em 1Reis 13 disse: “Um anjo me falou por ordem do Senhor, dizendo: Faze-o voltar contigo a tua casa, para que coma pão e beba água” (1Rs 13.18). Contudo, o texto bíblico acrescenta imediatamente, no mesmo versículo: “Porém mentiu-lhe”.

b. Não adore os anjos, nem lhes dirija oração, nem os procure. O “culto de anjos” (Cl 2.18) era uma das falsas doutrinas ensinadas em Colossos. Além disso, o anjo que falou a João no livro do Apocalipse exorta o apóstolo a não adorá-lo: “Vê, não faças isso; sou conservo teu e dos teus irmãos que mantêm o testemunho de Jesus; adora a Deus” (Ap 19.10).

c. Será que os anjos ainda hoje aparecem às pessoas? No período inicial da história da igreja, os anjos se achavam ativos. Um anjo disse a Filipe que viajasse para o sul, tomando a estrada que ia de Jerusalém a Gaza (At 8.26), orientou Cornélio a enviar um mensageiro até Jope para mandar chamar Pedro (At 10.3-6), exortou Pedro a que se erguesse para sair da prisão (At 12.6-11) e prometeu a Paulo que ninguém do navio pereceria e que ele, assim, compareceria perante César (At 27.23-24). Além disso, o autor de Hebreus encoraja seus leitores, nenhum deles apóstolos nem mesmo crentes da primeira geração ligada aos apóstolos (ver Hb 2.3), a que eles continuem a demonstrar hospitalidade a estranhos, aparentemente com a expectativa de que também possam um dia receber anjos sem o perceber (Hb 13.2).

 

Grudem, Wayne; Teologia Sistemática; Edições Vida Nova; São Paulo