criação e as descobertas da ciência moderna.

23-10-2011 18:52

Vejamos alguns princípios segundo os quais se pode abordar a relação entre a criação e as descobertas da ciência moderna.

1. Corretamente compreendidos todos os fatos, não haverá “nenhum conflito definitivo” entre as Escrituras e a ciência natural. A expressão “nenhum conflito definitivo” foi extraída de um livro muito interessante de Francis Schaeffer, No Final Conflict. A respeito de questões da criação do universo, Schaeffer lista diversos pontos em que, segundo ele, há margem para discordância entre cristãos que acreditem na completa fidelidade das Escrituras:

a. Existe a possibilidade de Deus ter criado um universo “adulto”.
b. Existe a possibilidade de intervalo entre Gênesis 1.1 e 1.2, ou entre 1.2 e 1.3.
c. Existe a possibilidade de um dia longo em Gênesis 1.
d. O sentido da palavra “espécie” em Gênesis 1 pode ser bem amplo.
e. Existe a possibilidade da morte de animais antes da queda.
f. Nos trechos em que a palavra hebraica bªrª’ não é utilizada, existe a possibilidade de seqüência a partir de coisas previamente existentes.

2. Algumas teorias sobre a criação parecem nitidamente incompatíveis com os ensinamentos das Escrituras. Nesta seção examinaremos três tipos de explicação da origem do universo que parecem nitidamente incompatíveis com as Escrituras.

a. Teorias seculares. Teoria “secular” é qualquer teoria da origem do universo que não considera que um Deus pessoal e infinito é o responsável pela criação segundo desígnios inteligentes.

b. Evolução teísta. Essa teoria se chama evolução teísta porque advoga a crença em Deus (é “teísta”) e também na evolução. Muitos dos que defendem a evolução teísta sugerem que Deus interveio no processo em alguns pontos críticos, geralmente: (1) na criação da matéria no princípio, (2) na criação da forma mais simples de vida e (3) na criação do homem.

c. Comentários sobre a teoria darwiniana da evolução. O termo evolução é mais comumente usado para referir-se à “macroevolução” — ou seja, a “teoria geral da evolução”, ou a idéia de que “substâncias não vivas deram origem ao primeiro material vivo, que em seqüência se reproduziu e se diversificou, gerando todos os organismos extintos e existentes”.

(1) Contestações atuais à evolução

A atual teoria neodarwinista ainda é essencialmente semelhante à posição original de Darwin, mas com aperfeiçoamentos e modificações devidos a mais de cem anos de pesquisas. Na moderna teoria evolutiva darwinista, a história do desenvolvimento da vida começou quando uma combinação de substâncias químicas presentes na terra gerou espontaneamente uma forma de vida simples, provavelmente unicelular.

(2) As influências destrutivas da teoria da evolução no pensamento moderno

É importante compreender as influências incrivelmente destrutivas que a teoria da evolução exerceu sobre o pensamento moderno. Não passamos então de meros produtos de matéria, tempo e acaso, e portanto crer que temos alguma importância eterna, ou na verdade qualquer importância, por mínima que seja, diante de um universo imenso, é simplesmente ilusão. A reflexão sincera sobre essa idéia deve levar as pessoas a um profundo sentimento de desespero.

d. A teoria do “intervalo” entre Gênesis 1.1 e 1.2. Alguns evangélicos propõem que existe um intervalo de milhões de anos entre Gênesis 1.1 (“No princípio, criou Deus os céus e a terra”) e Gênesis 1.2 (“A terra, porém, estava sem forma e vazia; havia trevas sobre a face do abismo”). Segundo essa teoria, Deus teria feito uma criação anterior, mas acabou havendo uma rebelião contra ele (provavelmente ligada à própria rebelião de Satanás), e Deus julgou a terra, de modo que ela “ficou sem forma e vazia” (tradução alternativa, mas duvidosa, proposta para Gn 1.2).

3. A idade da terra: algumas considerações preliminares. Até aqui, as análises deste capítulo defenderam conclusões que esperamos encontrem ampla aceitação entre os cristãos evangélicos. Qual a idade da terra?

As duas opções a escolher sobre a idade da terra são a teoria da “terra antiga”, que se alinha com o consenso da ciência moderna, defendendo que a terra tem 4.500.000.000 de anos de idade; e a teoria da “terra jovem”, que diz que a terra tem entre 10.000 e 20.000 anos, e que os sistemas de datação científicos seculares estão incorretos. A diferença entre essas duas concepções é imensa: 4.499.980.000 anos!

4. Hoje tanto a tese da “terra antiga” quanto a da “terra jovem” são opções válidas para os cristãos que crêem na Bíblia. Depois de discutir várias considerações preliminares a respeito da idade da terra, chegamos finalmente aos argumentos específicos a favor das teses da terra antiga e da terra jovem.

a. As teorias criacionistas da “terra antiga”. Nessa primeira categoria, relacionamos dois pontos de vista defendidos por aqueles que crêem numa terra antiga, com cerca de 4,5 bilhões de anos, e num universo de cerca de 15 bilhões de anos.