C. Governo

23-10-2011 18:44

1. Provas bíblicas.

Já discutimos os dois primeiros aspectos da providência: (1) preservação e (2) cooperação. Esse terceiro aspecto da providência divina sugere que Deus tem um propósito em tudo o que faz no mundo, e providencialmente governa ou dirige todas as coisas a fim de que cumpram esses propósitos divinos. Lemos em Salmos: “O seu reino domina sobre tudo” (Sl 103.19). Além disso, “segundo a sua vontade, ele opera com o exército do céu e os moradores da terra; não há quem lhe possa deter a mão, nem lhe dizer: Que fazes?” (Dn 4.35).

2. Distinções acerca da vontade de Deus.

Embora em Deus a sua vontade seja unificada, e não dividida nem contraditória, é-nos impossível compreender as profundezas da vontade divina, e só pequena parte dela nós é revelada. Por essa razão, como vimos no capítulo 13,2 2 percebemos dois aspectos da vontade de Deus. De um lado, existe a vontade moral de Deus (às vezes chamada vontade “revelada”).

D. Os decretos de Deus

Os decretos de Deus são os divinos desígnios eternos por meio dos quais, antes da criação do mundo, ele determinou realizar tudo o que acontece. Essa doutrina é semelhante à da providência, mas aqui estamos considerando as decisões divinas anteriores à criação do mundo, e não seus atos providenciais no tempo. Seus atos providenciais são a efetivação dos decretos eternos que ele baixou há muito tempo.

E. A importância das nossas ações

Às vezes esquecemos que Deus age por intermédio dos atos humanos na sua administração providencial do mundo. Esquecendo, pensamos que nossos atos e nossas decisões não fazem muita diferença ou não exercem muita influência no curso dos acontecimentos. Para evitar qualquer mal-entendido acerca da providência divina, enfatizamos os pontos abaixo.

1. Somos, sim, responsáveis pelos nossos atos.

Deus nos fez responsáveis pelos nossos atos, que têm resultados reais e eternamente significativos. Em todos os seus atos providenciais, Deus preserva essas características de responsabilidade e importância.

2. Nossos atos geram resultados reais e mudam, sim, o curso dos acontecimentos.

Segundo o funcionamento normal do mundo, se deixo de cuidar da minha saúde e cultivo hábitos alimentares ruins, ou se agrido o meu corpo abusando do álcool e do cigarro, é provável que morra mais cedo. Deus determinou que nossos atos produzam efeitos. Deus determinou que nós causaremos acontecimentos.

3. A oração é um tipo de ação que traz resultados definidos e que efetiva-mente muda o curso dos acontecimentos.

Deus também determinou que a oração fosse um meio bastante importante de gerar resultados no mundo. Quando sinceramente intercedemos por uma pessoa ou situação, muitas vezes descobrirmos que Deus determinara que nossa oração seria o meio que ele usaria para gerar as mudanças no mundo. As Escrituras nos lembram esse fato ao dizer: “Nada tendes, porque não pedis” (Tg 4.2). Jesus diz: “Até agora nada tendes pedido em meu nome; pedi e recebereis, para que a vossa alegria seja completa” (Jo 16.24).

4. Concluindo, precisamos agir!

A doutrina da providência de modo nenhum nos incentiva a aguardar ociosos o resultado de determinados acontecimentos. É claro que Deus pode gravar em nós a necessidade de esperar nele antes de agir e de confiar nele e não nas nossas próprias capacidades — isso certamente não é errado. Mas simplesmente dizer que confiamos em Deus em vez de agir responsavelmente é pura ociosidade, e uma distorção da doutrina da providência.

5. E se não pudermos compreender plenamente essa doutrina?

Todo crente que medita na providência de Deus alcançará mais cedo ou mais tarde um ponto em que se verá obrigado a dizer: “Não consigo compreender plenamente essa doutrina”. Em certo sentido isso se deve dizer de toda doutrina, pois nossa compreensão é finita, e Deus é infinito.

F. Outras aplicações práticas

Embora já tenhamos começado a falar da aplicação prática dessa doutrina, é importante mencionar três outros tópicos.

1. Não tema, mas confie em Deus.
Jesus enfatiza o fato de que nosso soberano Senhor zela por nós e cuida de nós como seus filhos. Diz: “Observai as aves do céu: não semeiam, não colhem, nem ajuntam em celeiros; contudo, vosso Pai celeste as sustenta. Porventura, não valeis vós muito mais do que as aves?

2. Sejamos gratos por todas as boas coisas que acontecem.
Se genuinamente cremos que todas as boas coisas são causadas por Deus, então nosso coração de fato exultará quando dissermos: “Bendize, ó minha alma, ao Senhor, e não te esqueças de nem um só de seus benefícios” (Sl 103.2). Agradecer-lhe-emos nosso alimento diário (cf. Mt 6.11; 1Tm 4.4-5) e, na verdade, “em tudo” daremos graças (1Ts 5.18).

3. Não existe nada que se possa chamar “sorte” ou “acaso”.
Todas as coisas acontecem pela sábia providência divina. Isso significa que devemos adotar uma compreensão muito mais “pessoal” do universo e dos eventos que nele ocorrem. O universo não é governado por destino ou sorte impessoal, mas por um Deus pessoal.

 

Grudem, Wayne; Teologia Sistemática; Edições Vida Nova; São Paulo