C. A atividade de Satanás e dos demônios

23-10-2011 18:16

1. Satanás originou o pecado.

Satanás pecou antes que qualquer ser humano o fizesse, como se depreende do fato de ele (na forma de uma serpente) ter tentado Eva (Gn 3.1-6; 2Co 11.3). O Novo Testamento também nos informa que Satanás “foi homicida desde o princípio” e é “mentiroso e pai da mentira” (Jo 8.44). Também diz que “o Diabo vive pecando desde o princípio” (1Jo 3.8). Nos dois textos, a expressão “desde o princípio” não implica que Satanás é mau desde o início da criação do mundo (“desde o princípio do mundo”) nem desde o início da sua existência (“desde o princípio da sua vida”), mas sim desde a fase “inicial” da história do mundo (Gênesis 3 e mesmo antes). O Diabo se caracteriza por ter dado origem ao pecado e por tentar os outros ao pecado.

2. Os demônios se opõem a toda obra de Deus, tentando destruí-la.

Assim como Satanás levou Eva a pecar contra Deus (Gn 3.1-6), também tentou fazer Jesus pecar e assim falhar na sua missão de Messias (Mt 4.1-11). As táticas de Satanás e dos seus demônios são a mentira (Jo 8.44), o engano (Ap 12.9), o homicídio (Sl 106.37; Jo 8.44) e todo e qualquer tipo de ação destrutiva no intuito de fazer as pessoas se afastarem de Deus, rumo à destruição. Os demônios lançam mão de qualquer artifício para cegar as pessoas ao evangelho (2Co 4.4) e mantê-las presas a coisas que as impedem de aproximar-se de Deus (Gl 4.8). Também procuram usar a tentação, a dúvida, a culpa, o medo, a confusão, a doença, a inveja, o orgulho, a calúnia, ou qualquer outro meio para obstruir o testemunho e a utilidade do cristão.

3. Contudo, os demônios estão limitados pelo controle de Deus e têm poder restrito.

A história de Jó deixa claro que Satanás podia fazer só o que Deus lhe permitia, e nada mais (Jó 1.12; 2.6). Os demônios são mantidos em “algemas eternas” (Jd 6), e os cristãos podem muito bem resistir-lhes por intermédio da autoridade que Cristo nos legou (Tg 4.7).

4. Verificam-se diferentes estágios de atividade demoníaca na história da redenção.

a. No Antigo Testamento. Como no Antigo Testamento a palavra demônio não é usada com freqüência, de início podemos ter a impressão de que há pouca indicação de atividade demoníaca. Todavia, o povo de Israel freqüentemente pecava servindo a falsos deuses, e quando nos damos conta de que esses falsos “deuses” eram na verdade forças demoníacas, compreendemos que muitas passagens do Antigo Testamento de fato se referem a demônios.

b. No ministério de Jesus. Após centenas de anos de incapacidade de alcançar um triunfo real sobre as forças demoníacas, é compreensível que quando Jesus surgiu expulsando demônios com absoluta autoridade, as pessoas tenham ficado assombradas: “Todos se admiravam, a ponto de perguntarem entre si: Que vem a ser isto? Uma nova doutrina! Com autoridade ele ordena aos espíritos imundos, e eles lhe obedecem!” (Mc 1.27). Jamais se vira na história do mundo tamanho poder sobre as forças demoníacas.

c. Na era da nova aliança. Essa autoridade sobre as forças demoníacas não se limitava apenas a Jesus, pois ele concedeu autoridade semelhante primeiro aos Doze (Mt 10.8; Mc 3.15) e em seguida aos setenta discípulos. Depois de um período de ministério, “regressaram os setenta, possuídos de alegria, dizendo: Senhor, os próprios demônios se nos submetem pelo teu nome!” (Lc 10.17). Jesus respondeu: “Eu via Satanás caindo do céu como um relâmpago” (Lc 10.18), indicando novamente um grande triunfo sobre o poder de Satanás (isso, repetimos, provavelmente ocorreu no momento da vitória de Jesus sobre a tentação no deserto, mas as Escrituras não indicam explicitamente quando isso aconteceu).

d. No milênio. Durante o milênio, o futuro reinado de mil anos de Cristo na terra, mencionado em Apocalipse 20, a atividade de Satanás e dos demônios ficará ainda mais restrita. Usando linguagem que sugere uma restrição muito maior da atividade satânica do que a que presenciamos hoje, João descreve assim a visão que teve do início do milênio em Apocalipse 20:1-3:

e. No juízo final. Ao final do milênio, Satanás é solto e reúne as nações para a batalha, mas é definitivamente derrotado e “lançado para dentro do lago de fogo e enxofre” e atormentado “de dia e de noite, pelos séculos dos séculos” (Ap 20.10). Então o juízo de Satanás e seus demônios estará completo.

 

Grudem, Wayne; Teologia Sistemática; Edições Vida Nova; São Paulo