C. Razões da graça comum

28-10-2011 14:43

Por que é que Deus concede a graça comum aos pecadores indignos que nunca alcançarão a salvação? Podemos sugerir, no mínimo, quatro razões:

1. Para redimir os que serão salvos.

Pedro diz que o dia do juízo e da execução final da punição está sendo adiado porque há ainda mais pessoas que serão salvas: “Não retarda o Senhor a sua promessa, como alguns a julgam demorada; pelo contrário, ele é longânimo para convosco, não querendo que nenhum pereça, senão que todos cheguem ao arrependimento. Virá, entretanto, como ladrão, o Dia do Senhor” (2Pe 3.9-10). De fato, essa razão é verdadeira desde o começo da história humana, porque se Deus quisesse salvar qualquer pessoa fora de toda massa da humanidade pecaminosa, ele não poderia destruir todos os pecadores imediatamente (porque nesse caso não haveria raça humana restante).

2. Para demonstrar a bondade e a misericórdia de Deus.

A bondade e a misericórdia de Deus não são apenas percebidas na salvação dos crentes, mas também nas bênçãos que ele concede aos pecadores indignos. Quando Deus “é benigno até com os ingratos e maus” (Lc 6.35), sua benignidade é revelada no universo, para sua glória. Davi diz: “O Senhor é bom para todos, e as suas ternas misericórdias permeiam todas as suas obras” (Sl 145.9). Por isso é que lemos sobre Jesus falando com o jovem rico: “E Jesus, fitando-o, o amou” (Mc 10.21), ainda que o homem fosse um incrédulo e que, num momento, desviar-se-ia de Jesus por causa de suas grandes posses.

3. Para demonstrar a justiça de Deus.

Quando Deus repetidamente convida os pecadores a que se acheguem à fé, e quando eles repetidamente recusam seu convite, a justiça de Deus ao condená-los é percebida muito mais claramente. Paulo adverte que aqueles que persistem na incredulidade estão simplesmente acumulando mais ira para si mesmos: “Segundo a tua dureza e coração impenitente, acumulas contra ti mesmo ira para o dia da ira e da revelação do justo juízo de Deus” (Rm 2.5). No dia do juízo “toda boca” será “calada” (Rm 3.19) e ninguém será capaz de objetar que Deus seja injusto.

4. Para demonstrar a glória de Deus.

Por último, a glória de Deus é demonstrada de muitas maneiras através das atividades dos seres humanos em todas as áreas na quais a graça comum atua. Ao desenvolver e exercitar o domínio sobre a terra, homens e mulheres demonstram e refletem a sabedoria de seu Criador, demonstram qualidades semelhantes às de Deus como perícia, virtude moral, autoridade sobre o universo e assim por diante. Embora todas essas atividades sejam maculadas por razões pecaminosas, assim mesmo refletem a excelência do nosso Criador, e portanto trazem glória a Deus, não total ou perfeitamente, mas de modo expressivo.