Adoração

29-10-2011 17:22

O termo adoração é às vezes aplicado a tudo na vida cristã, e diz-se corretamente que tudo em nossa vida deve ser um ato de adoração e tudo o que a igreja faz deve ser considerado adoração, pois tudo o que fazemos deve glorificar a Deus. No entanto, neste capítulo não estou usando a palavra nesse sentido abrangente. Ao contrário, uso adoração em um sentido mais específico para referir-me às músicas e às palavras que os cristãos dirigem a Deus em louvor, juntamente com a atitude de coração que acompanha tal louvor, especialmente quando os cristãos se reúnem. Visto que os capítulos desta parte do livro tratam da doutrina da igreja, é apropriado dar atenção neste capítulo às atividades de adoração da igreja reunida.

 

A. Definição e propósito da adoração

Adoração é a atividade de glorificar a Deus em sua presença com nossa voz e com nosso coração.

Nessa definição podemos observar que adorar é um ato que glorifica a Deus. Apesar de se esperar que todos os aspectos de nossa vida glorifiquem a Deus, essa definição especifica que adoração é algo que fazemos especialmente quando entramos na presença de Deus, quando estamos conscientes que o cultuamos de coração e quando o louvamos com a voz e dele falamos para que outros o ouçam. Paulo incentiva os cristãos de Colossos, dizendo: “Habite, ricamente, em vós a palavra de Cristo; instruí-vos e aconselhai-vos mutuamente em toda a sabedoria, louvando a Deus, com salmos, e hinos, e cânticos espirituais, com gratidão, em vosso coração (Cl 3.16).

B. As conseqüências da adoração genuína

Quando adoramos a Deus no sentido descrito acima, verdadeiramente tributando-lhe glória no coração e com nossa voz, há diversas conseqüências disso:

1. Alegramo-nos em Deus.

Deus criou-nos não somente para glorificá-lo mas também para alegrar-nos nele e regozijar-nos em sua grandeza. Nós provavelmente experimentamos alegria em Deus mais plenamente na adoração do que em qualquer outra atividade na vida. Davi confessa que “uma coisa” que ele buscou acima de tudo foi, conforme disse: “que eu possa morar na casa do Senhor todos os dias da minha vida, para contemplar a beleza do Senhor e meditar no seu templo” (Sl 27.4). Ele também afirma: “Na tua presença há plenitude de alegria, na tua destra, delícias perpetuamente” (Sl 16.11).

2. Deus alegra-se em nós.

O que Deus faz quando o adoramos? A impressionante verdade das Escrituras é que enquanto a criação glorifica a Deus, ele também alegra-se nela. Quando Deus fez o universo, no princípio, contemplou tudo com alegria e viu que “era muito bom” (Gn 1.31). Deus tem alegria especial nos seres humanos aos quais ele criou e remiu. Isaías lembrou ao povo do Senhor:

3. Aproximamo-nos de Deus.

A maravilhosa realidade invisível da adoração na nova aliança. Na antiga aliança era possível aproximar-se de Deus só de maneira limitada através das cerimônias do templo; na verdade, a maior parte do povo de Israel não podia entrar no próprio templo, mas tinha de permanecer no pátio. Até mesmo os sacerdotes podiam adentrar apenas o átrio externo do templo, o “Lugar Santo”, quando estavam designados para tal tarefa. Mas no recinto mais interior do templo, no “Santo dos Santos”, ninguém podia entrar exceto o sumo sacerdote, que o fazia apenas uma vez por ano (Hb 9.1-7).

4. Deus aproxima-se de nós.

Tiago diz-nos: “Chegai-vos a Deus, e ele se chegará a vós” (Tg 4.8). Esse tem sido o padrão com que Deus trata o seu povo em toda a Bíblia, e devemos estar confiantes que isso também é verdade hoje.

5. Deus ministra a nós.

Embora o propósito principal da adoração seja glorificar a Deus, as Escrituras ensinam que também acontece algo conosco na adoração: nós mesmos somos edificados. Até certo ponto, isso acontece, naturalmente, quando aprendemos dos ensinos bíblicos ministrados ou das palavras de incentivo dirigidas a nós; Paulo afirma: “Seja tudo feito para edificação” (1Co 14.26), e diz “instruí-vos e aconselhai-vos mutuamente em toda a sabedoria” (Cl 3.16), e também “falando entre vós com salmos, entoando e louvando de coração ao Senhor com hinos e cânticos espirituais” (Ef 5.19; cf. Hb 10.24-25).

6. Os inimigos do Senhor fogem.

Quando o povo de Israel começava a adorar, Deus, em certas ocasiões, lutava por eles contra os seus inimigos. Por exemplo, quando os moabitas, os edomitas e os sírios atacaram Judá, o rei Josafá colocou os cantores em frente do exército louvando a Deus:

Aconselhou-se com o povo e ordenou cantores para o Senhor, que, vestidos de ornamentos sagrados e marchando à frente do exército, louvassem a Deus [...] Tendo eles começado a cantar e a dar louvores, pôs o Senhor emboscadas contra os filhos de Amom e de Moabe e os do monte Seir que vieram contra Judá, e foram desba-ratados (2Cr 20.21-22).

 

7. Os descrentes sabem que estão na presença de Deus.

Ainda que as Escrituras não enfatizem a evangelização como propósito principal quando a igreja se reúne para adorar, Paulo ordena aos coríntios que se preocupem com os descrentes e com os de fora que comparecem aos cultos, para que eles tenham certeza de que os cristãos falam de maneira que se pode entender (veja 1Co 14.23). Ele também lhes diz que se o dom de profecia estiver sendo usado adequadamente, os descrentes terão eventualmente os segredos do seu coração descobertos, e se prostrarão sobre o rosto e “adorarão a Deus, testemunhando que, Deus está, de fato, no meio de vós” (1Co 14.25; cf. At 2.11).

 

C. O valor eterno da adoração

Pelo fato de glorificar a Deus e cumprir o propósito para o qual ele nos criou, a adoração é uma atividade de significado eterno e de grande valor. Quando Paulo adverte os efésios de que não desperdicem o tempo, mas que o usem bem, ele o faz no contexto do viver como os sábios: “Portanto, vede prudentemente como andais, não como néscios, e sim como sábios, remindo o tempo, porque os dias são maus” (Ef 5.15-16).

 

D. Como podemos entrar em adoração genuína?

Finalmente, a adoração é uma atividade espiritual e precisa ser efetuada pelo poder do Espírito Santo em nós. Isso quer dizer que devemos orar para que o Espírito Santo capacite-nos a adorar corretamente.