A volta de Cristo

29-10-2011 18:16

Incrédulos podem fazer predições razoáveis de eventos futuros com base em padrões de ocorrências passadas, mas na natureza da experiência humana é evidente que os seres humanos, por si mesmos, não conseguem conhecer o futuro. Mas os cristãos que crêem na Bíblia vivem outra situação. Ainda que não possamos conhecer tudo acerca do futuro, Deus conhece todas as coisas futuras e, nas Escrituras, trata dos principais fatos ainda futuros na história do universo. Podemos ter absoluta certeza da ocorrência desses fatos porque Deus nunca erra e jamais mente.

 

A. Haverá uma volta súbita, pessoal, visível e corpórea de Cristo

Jesus falou muitas vezes de sua volta. “Por isso, ficai também vós apercebidos; porque, à hora em que não cuidais, o Filho do Homem virá” (Mt 24.44). Ele disse: “... quando eu for e vos preparar lugar, voltarei e vos receberei para mim mesmo, para que, onde eu estou, estejais vós também” (Jo 14.3). Imediatamente depois de Jesus ascender ao céu, dois anjos disseram aos discípulos: “Esse Jesus que dentre vós foi assunto ao céu virá do modo como o vistes subir” (At 1.11). Paulo ensinou: “Porquanto o Senhor mesmo, dada a sua palavra de ordem, ouvida a voz do arcanjo, e ressoada a trombeta de Deus, descerá dos céus” (1Ts 4.16). O autor de Hebreus escreveu que Cristo “aparecerá segunda vez, sem pecado, aos que o aguardam para a salvação” (Hb 9.28). Tiago escreveu: “... a vinda do Senhor está próxima” (Tg 5.8). Pedro disse: “Virá, entretanto, como ladrão, o Dia do Senhor” (2Pe 3.10). João escreveu: “... quando ele se manifestar, seremos semelhantes a ele, porque haveremos de vê-lo como ele é” (1Jo 3.2). E o livro de Apocalipse traz freqüentes referências à volta de Cristo, terminando com a promessa de Jesus: “Certamente, venho sem demora”, e a resposta de João: “Amém! Vem, Senhor Jesus!” (Ap 22.20).

 

B. Devemos ansiar pela volta de Cristo

A resposta de João no final de Apocalipse deve caracterizar o coração dos cristãos em todas as épocas: “Amém! Vem, Senhor Jesus!” (Ap 22.20). O verdadeiro cristianismo nos treina a viver “no presente século, sensata, justa e piedosamente, aguardando a bendita esperança e a manifestação da glória do nosso grande Deus e Salvador Cristo Jesus” (Tt 2.12-13). Paulo diz: “Pois a nossa pátria está nos céus, de onde também aguardamos o Salvador, o Senhor Jesus Cristo” (Fp 3.20). De modo semelhante, o termo “maranata” em 1Coríntios 16.22 (ara, arc) significa “vem, nosso Senhor” (blh).

 

C. Não sabemos quando Cristo voltará

Algumas passagens indicam que não sabemos, e não podemos saber, quando Cristo voltará. “À hora em que não cuidais, o Filho do Homem virá” (Mt 24.44). “Vigiai, pois, porque não sabeis o dia nem a hora” (Mt 25.13). Além disso, Jesus disse: “Mas a respeito daquele dia ou da hora ninguém sabe; nem os anjos no céu, nem o Filho, senão o Pai. Estai de sobreaviso, vigiai e orai; porque não sabeis quando será o tempo” (Mc 13.32-33).

A conseqüência prática disso é que se deve considerar errado, de imediato, quem diz saber especificamente quando virá Jesus. Os testemunhas-de-jeová têm feito muitas predições de datas específicas da volta de Cristo, e todas elas provaram-se enganadas. Mas outros na história da igreja também fizeram tais predições, às vezes alegando novo entendimento de profecias bíblicas e às vezes alegando ter recebido revelações pessoais do próprio Jesus, indicando o momento de seu retorno.

 

D. Todos os evangélicos concordam quanto às conseqüências definitivas da volta de Cristo

Não importam as discórdias quanto aos detalhes, todos os cristãos que têm a Bíblia por autoridade final concordam que a conseqüência definitiva e última da volta de Cristo será o julgamento dos incrédulos e a recompensa final dos que crêem e que os que crêem viverão com Cristo, por toda a eternidade, num novo céu e numa nova terra. Deus Pai, Filho e Espírito Santo reinará e será cultuado num reino eterno em que já não haverá pecado, dor ou sofrimento. Vamos discutir melhor esses detalhes nos próximos capítulos.

 

E. Há discussão quanto aos pormenores dos eventos futuros

Entretanto, os cristãos discordam a respeito de pormenores específicos sobre o que acontecerá logo antes e logo depois da volta de Cristo. Especificamente, eles discordam quanto à natureza do milênio e da relação entre a vinda de Cristo e o milênio, quanto à seqüência da volta de Cristo e o período da grande tribulação que sobrevirá à terra e na questão da salvação do povo judeu (e a relação entre os judeus salvos e a igreja).

 

F. Poderá Cristo voltar a qualquer momento?

Uma das discussões significativas surge quando se debate se Cristo poderá voltar a qualquer momento. Por um lado, há muitas passagens que nos incentivam a estar prontos porque Cristo voltará em hora inesperada. Por outro lado, há algumas passagens que falam de certos eventos que ocorrerão antes da volta de Cristo. Há diferentes modos de resolver a aparente tensão entre esses dois conjuntos de passagens, e alguns cristãos concluem que Cristo ainda poderá voltar a qualquer momento e outros que ele não poderá voltar pelo menos antes de uma geração, já que seria preciso esse tempo para que se cumpram alguns eventos preditos que precisam ocorrer antes de sua volta.

1. Versículos que predizem uma vinda repentina e inesperada de Cristo.

Para sentir a força cumulativa das passagens que predizem que Cristo poderá voltar muito em breve: (Mt 24.42-44; cf. v. 36-39), (Mt 24.50), (Mt 25.13), (Mc 13.32-33), (Mc 13.34-37), (1Co 16.22), (Fp 3.20 blh), (1Ts 5.2), (Tt 2.12-13), (Hb 10.25), (Tg 5.7-9),  (1Pe 4.7) (2Pe 3.10), (Ap 1.3), (Ap 22.7), (Ap 22.12), (Ap 22.20).

Que dizer dessas passagens? Se o Novo Testamento não contivesse passagens sobre os sinais que precederão a volta de Cristo, é provável que concluíssemos pelas passagens que acabamos de citar que Jesus poderia vir a qualquer momento. Nesse sentido, podemos dizer que a volta de Cristo é iminente. Isso parece amortecer o impacto dos alertas a que estejamos prontos e vigilantes, caso haja motivos para crer que Cristo não voltará logo.

2. Sinais que precedem a volta de Cristo.

A outra série de textos a considerar trata de alguns sinais que as Escrituras dizem preceder a hora da volta de Cristo. De fato, Berkhof diz: “De acordo com as Escrituras alguns fatos importantes devem ocorrer antes da volta do Senhor e, assim, não se pode considerá-la iminente”.

Aqui vale alistar as passagens que fazem referência mais direta aos sinais que devem ocorrer antes da volta de Cristo.

a. A pregação do evangelho a todas as nações. É necessário que primeiro o evangelho seja pregado a todas as nações (Mc 13.10; cf. Mt 24.14).

b. A grande tribulação. Quando, porém, ouvirdes falar de guerras e rumores de guerras, não vos assusteis; é necessário assim acontecer, mas ainda não é o fim. Porque se levantará nação contra nação, e reino, contra reino. Haverá terremotos em vários lugares e também fomes. Estas coisas são o princípio das dores (Mc 13.7-8; cf. 24.15-22; Lc 21.20-24).

c. Falsos profetas realizando sinais e maravilhas

Surgirão falsos cristos e falsos profetas, operando sinais e prodígios, para enganar, se possível, os próprios eleitos (Mc 13.22; cf. 24.23-24).

d. Sinais no céu. Mas, naqueles dias, após a referida tribulação, o sol escurecerá, a lua não dará a sua claridade, as estrelas cairão do firmamento, e os poderes dos céus serão abalados. Então, verão o Filho do Homem vir nas nuvens, com grande poder e glória (Mc 13.24-26; cf. Mt 24.29-30; Lc 21.25-27).

e. A vinda do homem da iniqüidade e a rebelião. Paulo escreve aos tessalonicenses que Cristo não virá, a menos que o homem da iniqüidade seja antes revelado, e depois o Senhor Jesus, em sua vinda, o destruirá. Esse “homem da iniqüidade” é às vezes identificado com a besta em Apocalipse 13 e às vezes chamado anticristo, o último e pior da série de “anticristos” mencionados em 1João 2.18.

f. A salvação de Israel. Paulo fala do fato de que muitos judeus não creram em Cristo, mas diz que em algum ponto do futuro um número maior será salvo: (Rm 11.12), (Rm 11.25-26).

g. Conclusões a partir desses sinais que precedem a volta de Cristo. O impacto dessas passagens parece tão claro que, conforme mencionamos acima, muitos cristãos sentem que Cristo simplesmente não pode voltar a qualquer momento.

3. Soluções possíveis.

Como harmonizar passagens que nos parecem aconselhar a estar prontos porque Cristo pode voltar logo com passagens que indicam que alguns eventos importantes e visíveis devem ocorrer antes que ele possa voltar? É possível propor algumas soluções.

a. A pregação do evangelho a todas as nações. O evangelho foi pregado a todas as nações? É provável que não, já que há vários grupos lingüísticos e étnicos que ainda não ouviram o evangelho. É improvável, portanto, que esse sinal tenha se cumprido. Entretanto, Paulo fala em Colossenses sobre a propagação mundial do evangelho: “... a palavra da verdade do evangelho, que chegou até vós; como também, em todo o mundo, está produzindo fruto e crescendo” (Cl 1.5-6).

b. A grande tribulação. Mais uma vez, parece provável que a linguagem das Escrituras indique que haverá na terra um período de sofrimento muito maior que tudo que se tenha experimentado. Mas deve-se notar que muitas pessoas entenderam que os alertas de Jesus quanto à grande tribulação referem-se ao cerco romano a Jerusalém na guerra judaica de 66-70 d.C.  O sofrimento durante essa guerra foi mesmo terrível e pode ser o que Jesus descreveu ao predizer essa tribulação.

c. Falsos cristos e falsos profetas. Com respeito a falsos cristos e falsos profetas que operarão sinais e maravilhas, qualquer missionário que tenha trabalhado com povos entre os quais proliferem a feitiçaria e as atividades demoníacas logo testemunharão que aparentes “sinais e maravilhas” têm sido realizados com freqüência pelo poder demoníaco em oposição à difusão do evangelho. Com certeza os milagres demoníacos na corte do faraó produziram sinais falsos em oposição aos milagres de Moisés (Êx 7.11; 8.7; cf. a atividade de Simão, o mago, em At 8.9-11).

d. Sinais portentosos no céu. A ocorrência de sinais nos céus é o sinal que quase certamente ainda não aconteceu. Obviamente, tem havido eclipses do sol e da lua e aparecido cometas desde que começou o mundo. Mas Jesus fala de algo muito maior: “Logo em seguida à tribulação daqueles dias, o sol escurecerá, a lua não dará a sua claridade, as estrelas cairão do firmamento, e os poderes dos céus serão abalados” (Mt 24.29).

e. A manifestação do homem da iniqüidade. Tem havido muitas tentativas ao longo da história para identificar o homem da iniqüidade (o “anticristo”) com personagens históricos que exerceram grande autoridade e trouxeram danos e devastação às pessoas sobre a terra. Muitos pensaram que os antigos imperadores romanos, Nero e Domiciano, que perseguiram severamente os cristãos, seriam o anticristo. (Muitos imperadores romanos, inclusive esses dois, auto proclamaram-se Deus e exigiram culto.).

f. A salvação de Israel. Com respeito à salvação da plenitude de Israel, mais uma vez deve-se dizer que Romanos 9–11 parece indicar que ainda haverá uma grande reunião futura dos judeus, quando eles aceitarem Jesus como seu Messias. Mas não é certo que Romanos 9–11 prediga isso, e muitos alegam que não ocorrerá nenhuma outra reunião de judeus, diferente da que já temos visto ao longo da história da igreja, uma vez que Paulo se apresenta como um exemplo básico dessa reunião (Rm 11.1-2). Mais uma vez, é improvável, mas possível que esse sinal já se tenha cumprido.

g. Conclusão. Exceto pelos sinais espetaculares nos céus, é improvável, mas possível que esses sinais já se tenham cumprido. Além disso, o único sinal que parece certamente não ter ocorrido, o escurecimento do sol e da lua e a queda das estrelas, poderia ocorrer num período de poucos minutos e, assim, parece adequado dizer que Cristo pode voltar agora a qualquer hora do dia ou da noite. É portanto, improvável mas certamente possível que Cristo possa voltar a qualquer momento.