A Cognoscibilidade (Conhecimento) de Deus

23-10-2011 23:03

Se pretendemos conhecer a Deus, antes é necessário que ele se revele a nós. Paulo diz que o que podemos conhecer sobre Deus está claro às pessoas “porque Deus lhes manifestou” (Rm 1.19).

Quando falamos do conhecimento pessoal de Deus, que vem pela salvação, essa idéia fica ainda mais explícita. Disse Jesus: “Ninguém conhece o Filho, senão o Pai; e ninguém conhece o Pai, senão o Filho e aquele a quem o Filho o quiser revelar” (Mt 11.27).

A necessidade de Deus revelar-se a nós também se percebe no fato de que o pecador interpreta erroneamente a revelação de Deus encontrada na natureza. Portanto, precisamos das Escrituras para interpretar corretamente a revelação natural. Por conseguinte, dependemos da ativa comunicação divina nas Escrituras para alcançar verdadeiro conhecimento de Deus.

Como Deus é infinito, e nós, finitos e limitados, jamais poderemos compreender plenamente e exaustivamente a Deus. Diz o salmo 145: “Grande é o Senhor e mui digno de ser louvado; a sua grandeza é insondável” (Sl 145.3). Jamais seremos capazes de medir ou conhecer plenamente o entendimento de Deus: é imenso demais para que o igualemos ou entendamos.

Assim, podemos conhecer algo do amor, do poder, da sabedoria, etc., de Deus. Mas jamais poderemos conhecer completa ou exaustivamente o seu amor. Jamais poderemos conhecer exaustivamente o seu poder. Jamais poderemos conhecer exaustivamente a sua sabedoria, etc.

Essa doutrina da incompreensibilidade de Deus tem muita aplicação positiva para nossa vida. Significa que jamais seremos capazes de conhecer “demais” sobre Deus, pois jamais nos faltarão coisas para aprender sobre ele, e assim nunca nos cansaremos de nos deleitar com a descoberta de mais e mais coisas da sua excelência e da grandeza das suas obras.

Se desejássemos um dia nos igualar a Deus em conhecimento, ou se desejássemos encontrar prazer no pecado do orgulho intelectual, o fato de que jamais cessaremos de crescer no conhecimento de Deus seria para nós fator desencorajador — poderíamos sentir-nos frustrados pelo fato de Deus se revelar um objeto de estudo que jamais poderemos dominar! Mas se nos deleitamos no fato de que só Deus é Deus, de que ele é sempre infinitamente maior do que nós, de que somos criaturas dele, que lhe devemos culto e adoração, então essa nos será uma idéia bastante encorajadora.

Embora não possamos conhecer exaustivamente a Deus, podemos conhecer coisas verdadeiras sobre ele. De fato, tudo o que as Escrituras nos falam sobre Deus é verdadeiro. É verdade dizer que Deus é amor (1Jo 4.8), que Deus é luz (1Jo 1.5), que Deus é espírito (Jo 4.24), que Deus é justo ou reto (Rm 3.26) e assim por diante. Podemos conhecer alguns pensamentos de Deus — até muitos deles — com base na Bíblia, e quando os conhecemos, como Davi, os consideramos “preciosos” (Sl 139.17).

Ainda mais significativo é perceber que conhecemos o próprio Deus, e não meramente fatos sobre ele ou atos que ele executa. Aqui Deus diz que a fonte da nossa alegria e da nossa noção de importância deve vir não das nossas capacidades ou posses, mas do fato de conhecê-lo.

O fato de conhecermos o próprio Deus é demonstrado ainda pela percepção de que a riqueza da vida cristã envolve um relacionamento pessoal com Deus. Falamos com Deus em oração, e ele fala conosco pela sua Palavra. Temos comunhão com ele na sua presença, entoamos seus louvores e temos consciência de que ele pessoalmente habita no meio de nós e dentro de nós para nos abençoar (Jo 14.23). De fato, pode-se dizer que esse relacionamento pessoal com Deus Pai, com Deus Filho e com Deus Espírito Santo é a maior de todas as bênçãos da vida cristã.