A Providência Divina.

23-10-2011 18:48

Quando entendemos que Deus é o Criador todo-poderoso (ver capítulo 15), parece sensato concluir que ele também preserva e governa tudo no universo. Embora o termo providência não se encontre nas Escrituras, tem sido tradicionalmente usado para resumir a contínua relação de Deus com a sua criação.

Podemos definir assim a providência divina: Deus está continuamente envolvido com todas as coisas criadas de forma tal que (1) as preserva como elementos existentes, que conservam as propriedades com que ele os criou; (2) coopera com as coisas criadas em cada ato, dirigindo as suas propriedades características a fim de fazê-las agir como agem; e (3) as orienta no cumprimento dos seus propósitos.

Dentro da categoria geral da providência temos três subtópicos, segundo os três elementos da definição acima: (1) Preservação, (2) Cooperação e (3) Governo.

A. Preservação

Deus preserva todas as coisas criadas como elementos existentes, que conservam as propriedades com que ele os criou.

Hebreus 1.3 nos diz que Cristo está “sustentando todas as coisas pela palavra do seu poder”. A palavra grega traduzida como “sustentando” é pherÜ, “carregar, suportar”. É usada comumente no Novo Testamento com o sentido de carregar algo de um lugar para outro, como nos seguinte exemplos: Lucas 5.18 (levar um paralítico num leito até Jesus), João 2.8 (levar vinho ao encarregado do banquete) e 2Timóteo 4.13 (levar uma capa e livros para Paulo). Não significa simplesmente “sustentar”, mas encerra a idéia de controle ativo e deliberado da coisa que se carrega de um lugar a outro. Em Hebreus 1.3, o uso do gerúndio indica que Jesus está “continuamente carregando consigo todas as coisas” no universo pela palavra do seu poder. Cristo está ativamente envolvido na obra da providência.

B. Cooperação

Deus coopera com as coisas criadas em cada ato, dirigindo as suas propriedades características a fim de fazê-las agir como agem.

Esse segundo aspecto da providência, a cooperação, é uma ampliação da idéia contida no primeiro aspecto, a preservação. De fato, alguns teólogos (como João Calvino) tratam o fato da cooperação dentro da categoria da preservação, mas vale a pena tratá-lo como categoria distinta.
Com o intuito de apresentar provas bíblicas da cooperação, começamos pela criação inanimada, depois passamos aos animais e finalmente abordamos os diferentes tipos de acontecimentos da vida dos homens.