A Perseverança dos Santos (Conservar-se Cristão)

28-10-2011 14:25

Até aqui a nossa análise já abordou muitos aspectos da plena salvação que Cristo conquistou para nós e que o Espírito Santo agora aplica a nós. Mas como saber que continuaremos cristãos até o fim da vida? Será que há alguma coisa que nos impeça de nos afastar de Cristo, algo que garanta que nos conservaremos cristãos até a morte e que de fato viveremos com Deus no céu para sempre? Ou será possível que nos afastemos de Cristo e percamos as bênçãos da salvação? O tema da perseverança dos santos trata dessas questões. Pela perseverança dos santos, todos aqueles que verdadeiramente nasceram de novo serão guardados pelo poder de Deus e perseverarão como cristãos até o final da vida, e só aqueles que perseverarem até o fim realmente nasceram de novo.

 

A. Todos os que verdadeiramente nasceram de novo perseverarão até o fim

Muitas passagens pregam que aqueles que verdadeiramente nasceram de novo, que são realmente cristãos, continuarão na vida cristã até a morte, e então viverão com Cristo no céu. Diz Jesus:

Eu desci do céu, não para fazer a minha própria vontade, e sim a vontade daquele que me enviou. E a vontade de quem me enviou é esta: que nenhum eu perca de todos os que me deu; pelo contrário, eu o ressuscitarei no último dia. De fato, a vontade de meu Pai é que todo homem que vir o Filho e nele crer tenha vida eterna; e eu o ressuscitarei no último dia (Jo 6.38-40).

 

Aqui diz Jesus que todos os que crêem nele terão vida eterna. Diz que irá ressuscitar essa pessoa no último dia — o que, nesse contexto de crer no Filho e ter vida eterna, significa claramente que Jesus ressuscitará essa pessoa para a vida eterna ao lado dele (não somente a ressuscitará para juízo e condenação). Parece difícil evitar a conclusão de que todos os que verdadeiramente crêem em Cristo permanecerão cristãos até o dia da ressurreição final para as bênçãos da vida na presença de Deus. Além disso, esse texto enfatiza que Jesus faz a vontade do Pai, ou seja, “que nenhum eu perca de todos os que me deu” (Jo 6.39). Reafirma-se então: os que foram dados ao Filho pelo Pai não se perderão.

 

B. Só aqueles que perseverarem até o fim realmente nasceram  de novo

Embora as Escrituras vez após vez ressaltem que os que verdadeiramente nasceram de novo perseverarão até o fim e por certo terão a vida eterna no céu ao lado de Deus, outras passagens falam da necessidade de persistir na fé por toda a vida. Elas nos fazem perceber que aquilo que Pedro disse em 1Pedro 1.5 é verdade: que Deus não nos guarda independentemente da nossa fé, mas só age mediante a nossa fé; ou seja, possibilita que continuemos a crer nele. Desse modo, aqueles que persistem na fé em Cristo ganham a certeza de que Deus age neles e os guarda.

 

C. Aqueles que acabam se afastando podem dar muitos sinais exteriores de conversão

Será sempre fácil distinguir os membros da igreja que têm autêntica fé salvífica daqueles que têm apenas um convencimento intelectual da verdade do evangelho, mas não a autêntica fé no coração? Não, nem sempre é fácil, e a Bíblia afirma em várias passagens que descrentes em aparente comunhão com a igreja podem dar alguns sinais ou indicações exteriores que os façam parecer crentes verdadeiros. Por exemplo, Judas, que traiu Cristo, deve ter agido quase exatamente como os outros discípulos durante os três anos em que esteve com Jesus. Tão convincente era a sua conformidade à conduta dos outros discípulos que ao final dos três anos de ministério de Jesus, quando ele declarou que um dos seus discípulos o trairia, nem todos suspeitaram de Judas, mas “começaram um por um a perguntar-lhe: Porventura, sou eu, Senhor?” (Mt 26.22; cf. Mc 14.19; Lc 22.23; Jo 13.22).

 

D. O que pode dar ao crente a plena segurança?

Se é verdade, como explicamos na seção anterior, que os descrentes que finalmente optam pela apostasia podem dar muitos sinais exteriores de conversão, então o que servirá como prova de uma conversão genuína? O que pode dar plena certeza ao crente autêntico? Podemos relacionar três categorias de perguntas que a pessoa poderia fazer a si mesma.

1. Será que confio hoje na salvação de Cristo?

Paulo diz aos colossenses que eles serão salvos no último dia, “se é que permaneceis na fé, alicerçados e firmes, não vos deixando afastar da esperança do evangelho que ouvistes” (Cl 1.23). O autor de Hebreus diz: “Nos temos tornado participantes de Cristo, se, de fato, guardarmos firme, até ao fim, a confiança que, desde o princípio, tivemos” e incentiva os seus leitores a imitar aqueles “que, pela fé e pela longanimidade, herdam as promessas” (Hb 6.12). De fato, o versículo mais famoso de toda a Bíblia usa um verbo no presente e pode ser assim traduzido: “... todo aquele que continuar crendo nele” terá a vida eterna (ver Jo 3.16).

2. Há porventura no meu coração provas da obra regeneradora do Espírito Santo?

A prova da obra do Espírito Santo no nosso coração surge de muitos modos diferentes. Embora não devamos confiar na demonstração de milagres (Mt 7.22), nem em longas horas ou anos de trabalho numa igreja qualquer (que pode não passar de uma construção feita de “madeira, feno, palha” [nas palavras de 1Co 3.12] que só faz inflar o ego humano ou o poder sobre os outros, ou representa uma tentativa de conquistar méritos perante Deus), existem muitas outras provas da obra autêntica do Espírito Santo no coração da pessoa.

3. Será que percebo uma tendência constante de crescimento na minha vida cristã?

Os primeiros dois fatores de certeza da salvação têm que ver com a fé presente e a prova atual da obra do Espírito Santo em nós. Mas Pedro dá mais um tipo de teste que podemos fazer para verificar se somos crentes autênticos. Ele nos diz que há algumas virtudes que, cultivadas continuamente, garantem que não tropeçaremos “em tempo algum” (2Pe 1.10). Ele aconselha aos seus leitores acrescer à sua fé “virtude [...] conhecimento [...] domínio próprio [...] perseverança [...] piedade [...] fraternidade [...] amor” (2Pe 1.5-7). Depois diz que essas coisas devem existir nos seus leitores, “aumentando” continuamente (2Pe 1.8). Pedro ainda acrescenta que eles devem procurar “com diligência cada vez maior, confirmar a [...] vocação e eleição [deles]” e diz depois que “procedendo assim (literalmente, “fazendo essas coisas”, com referência às virtudes mencionadas nos v. 5-7), não tropeçareis em tempo algum” (2Pe 1.10).