A Existência de Deus

23-10-2011 23:04

“Como sabemos que Deus existe? A resposta pode ser dada em duas partes: primeira, todas as pessoas têm uma intuição íntima de Deus. Segunda, cremos nas provas encontradas nas Escrituras e na natureza”.

Todas as pessoas de qualquer lugar têm uma profunda intuição íntima de que Deus existe, de que são criaturas de Deus e de que ele é seu Criador. Paulo diz que mesmo os gentios descrentes tinham “conhecimento de Deus”, mas não o honravam como Deus nem lhe eram gratos (Rm 1.21).

Na vida do cristão essa íntima consciência de Deus se torna mais forte e mais distinta.

Além da consciência íntima de Deus, que dá claro testemunho do fato de que ele existe, encontramos claras evidências da sua existência nas Escrituras e na natureza.

As provas de que Deus existe se encontram, logicamente, disseminadas por toda a Bíblia. De fato, a Bíblia sempre pressupõe que Deus existe.

Além das provas encontradas na existência dos seres humanos, há outra excelente evidência na natureza. Quem olha para o céu, de dia ou de noite, vê o sol, a lua e as estrelas, o firmamento e as nuvens, todos declarando continuamente pela sua existência, beleza e grandeza que foi um Criador poderoso e sábio quem os fez e os sustém na sua ordem.

As “provas” tradicionais da existência de Deus, arquitetadas por filósofos cristãos (e alguns não cristãos) de várias épocas da história, são de fato tentativas de analisar as evidências, especialmente as evidências da natureza, de modos extremamente cuidadosos e logicamente precisos, a fim de convencer as pessoas de que não é racional rejeitar a idéia de que Deus existe.

A maior parte das provas tradicionais da existência de Deus pode ser classificada em quatro tipos importantes de argumento:

1. O argumento cosmológico considera o fato de que toda coisa conhecida do universo tem uma causa.

2. O argumento teleológico é na verdade uma subcategoria do argumento cosmológico. Como o universo parece ter sido planejado com um propósito, deve necessariamente existir um Deus inteligente e determinado que o criou para funcionar assim.

3. O argumento ontológico parte da idéia de Deus, definido como um ser “maior do que qualquer coisa que se possa imaginar”.

4. O argumento moral parte do senso humano do certo e do errado, e da necessidade da imposição da justiça, e raciocina que deve necessariamente existir um Deus que seja a fonte do certo e do errado e que vá algum dia impor a justiça a todas as pessoas.

Como todos esses argumentos se baseiam em fatos sobre a criação que realmente são verdadeiros, podemos dizer que todas essas provas (quando cuidadosamente formuladas) são, num sentido objetivo, provas válidas porque avaliam corretamente as evidências e ponderam com acerto, chegando a uma conclusão verdadeira: de fato, o universo realmente tem Deus como causa, realmente dá provas de um planejamento deliberado, Deus realmente existe como ser maior do que qualquer coisa que se possa imaginar e ele realmente nos deu um senso do certo e do errado e um senso de que seu juízo virá algum dia.

Mas noutro sentido, se “válido” significa “capaz de conseguir que todos concordem, mesmo aqueles que partem de falsos pressupostos”, então é claro que nenhuma das provas é válida, pois nenhuma delas é capaz de fazer que todos aqueles que as ponderam acabem concordando.

Finalmente, é preciso lembrar que neste mundo pecador Deus precisa possibilitar que nos convençamos, senão jamais creríamos nele. Lemos que “o deus deste século cegou o entendimento dos incrédulos, para que lhes não resplandeça a luz do evangelho da glória de Cristo” (2Co 4.4).

 

Bibliografia:

Grudem, Wayne; Teologia Sistemática; Edições Vida Nova; São Paulo