A Criação

23-10-2011 18:53

Podemos definir assim a doutrina da criação: Deus criou todo o universo do nada; este era originariamente muito bom, e ele o criou para glorificar a si mesmo.

1. Provas bíblicas da criação a partir do nada.
A Bíblia claramente demanda que acreditemos que Deus criou o universo do nada. (Às vezes se usa a expressão latina ex nihilo, “do nada”; diz-se então que a Bíblia prega a criação ex nihilo.) Isso significa que antes de Deus principiar a criação do universo, nada existia além do próprio Deus.

2. A criação do universo espiritual.
A criação de todo o universo abarca a criação de um reino de existência invisível e espiritual: Deus criou os anjos e outros tipos de seres celestiais, além dos animais e do homem. Também criou o céu como lugar onde a sua presença é especialmente evidente. A criação do reino espiritual está inequivocamente implícita em todos os versículos acima que afirmam que Deus criou não só a terra, mas também “o céu [...] e tudo quanto nele[s] existe” (Ap 10.6; cf. At 4.24), e está ainda explicitamente confirmada em vários outros versículos. No Novo Testamento, Paulo especifica que em Cristo “foram criadas todas as coisas, nos céus e sobre a terra, as visíveis e as invisíveis, sejam tronos, sejam soberanias, quer principados, quer potestades. Tudo foi criado por meio dele e para ele” (Cl 1.16; cf. Sl 148.2-5). Aqui a criação dos seres celestes invisíveis é também afirmada explicitamente.

3. A criação direta de Adão e Eva.
“Então, o Senhor Deus fez cair pesado sono sobre o homem, e este adormeceu; tomou uma das suas costelas e fechou o lugar com carne. E a costela que o Senhor Deus tomara ao homem, transformou-a numa mulher e lha trouxe” (Gn 2.21-22).
A criação especial de Adão e Eva mostra que, embora nos pareçamos com os animais em muitos aspectos do nosso corpo físico, somos no entanto muito diferentes deles. Fomos criados “à imagem de Deus”, o pináculo da criação divina, mais semelhantes a Deus do que qualquer outra criatura, nomeados para reger o resto da criação.

4. A criação do tempo.
Outro aspecto da criação divina é a criação do tempo (a sucessão de momentos consecutivos). Essa idéia já foi discutida juntamente com o atributo divino da eternidade no capítulo 11, e aqui nos basta resumi-la. Quando falamos da existência de Deus “antes” da criação do mundo, não devemos pensar que Deus existisse ao longo de uma infindável extensão de tempo.

5. O papel do Filho e do Espírito Santo na criação.
Deus Pai foi o agente primordial, ao iniciar o ato da criação. Mas o Filho e o Espírito Santo também estiveram ativos. O Filho é muitas vezes descrito como aquele “por intermédio de” quem se deu a criação. O Espírito Santo também agiu na criação. Ele é geralmente retratado como aquele que conclui, preenche e dá vida à criação divina.

O ensino bíblico a respeito do relacionamento entre Deus e a criação é único entre as religiões do mundo. A Bíblia ensina que Deus é distinto da sua criação. Não faz parte dela, pois ele a fez e a governa. O termo muitas vezes usado para dizer que Deus é muito maior do que a criação é transcendente. Simplificando bastante, isso significa que Deus está bem “acima” da criação, no sentido de que é maior do que a criação e independente dela.

É evidente que Deus criou seu povo para a sua própria glória, pois ele fala dos seus filhos e filhas como aqueles “que criei para minha glória, e que formei, e fiz” (Is 43.7). Mas Deus não criou para seus desígnios somente os seres humanos. Toda a criação tem por meta revelar a glória de Deus. Mesmo a criação inanimada — as estrelas, o sol, a lua e o firmamento — dá testemunho da grandeza de Deus. “Os céus proclamam a glória de Deus, e o firmamento anuncia as obras das suas mãos.

Mesmo que hoje haja pecado no mundo, a criação material ainda é boa aos olhos de Deus e deve também por nós ser tida como “boa”. Esse conhecimento nos liberta de um falso ascetismo que considera errado o uso e o deleite da criação material.

Em vários momentos da história, os cristãos discordaram das descobertas reconhecidas da ciência da época. Na grande maioria dos casos, a sincera fé cristã e a firme confiança na Bíblia levaram os cientistas à descoberta de novas verdades sobre o universo de Deus, e essas descobertas mudaram a opinião científica em toda a história posterior.